SP atinge equilíbrio inédito: agora há um idoso para cada criança

Saúde Envelhecimento 28/09/2026 18:12 Agência de Notícias do Estado de São Paulo agenciasp.sp.gov.br

Dados da Fundação Seade revelam que, pela primeira vez, a população de São Paulo alcançou o índice de 101 idosos para cada 100 crianças e adolescentes. Isso significa que, numericamente, o número de pessoas com 60 anos ou mais já supera o de quem tem menos de 15 anos, marcando uma virada histórica na estrutura da sociedade paulista e exigindo novas políticas públicas para atender essa faixa etária crescente.

O estado de São Paulo atingiu um marco demográfico histórico: agora há, em média, um idoso para cada pessoa com menos de 15 anos. Esse dado, que indica que há 101 pessoas com 60 anos ou mais para cada 100 crianças e adolescentes, é resultado dos dados de 2025 do Painel População da Fundação Seade. Essa proporção é extremamente significativa se compararmos com o passado; em 1950, essa relação era de apenas 11,6 idosos para cada 100 jovens.

"O que observamos é uma mudança importante na estrutura etária da população paulista", afirma Bernadette Waldvogel, gerente da área de Demografia da Fundação Seade. Ela explica que, em 1950, havia cerca de 12 idosos para cada 100 crianças. Hoje, essa relação chegou a praticamente um para um. Isso mostra que a população do estado está se tornando cada vez mais madura, com uma base de jovens muito menor em comparação com a de idosos.

  • O cenário atual: O índice de envelhecimento atingiu 101,0, invertendo a tendência de uma sociedade jovem.
  • A virada histórica: Em 1950, a razão era de apenas 11,6 idosos para cada 100 crianças; hoje, ultrapassou a marca de 100.
  • Diferença de gênero: Mulheres são a maioria entre os idosos paulistas, representando 10,5% da população total do estado.
  • Impacto da Geração X: Cerca de 549 mil paulistas com exatos 60 anos entram agora na terceira idade, somando 6,6% dos idosos.
  • Disparidades regionais: O município de Turmalina tem o maior índice (322), enquanto áreas do sul e litoral tendem a ser mais jovens.

Maioria feminina e o impacto da Geração X

Entre os idosos paulistas, as mulheres são a maioria absoluta, e essa diferença aumenta conforme a idade avança. No total, a população com 60 anos ou mais no estado soma 8,4 milhões de pessoas. Considerando a população total de São Paulo, os idosos correspondem a 18,4% dos habitantes. Dentre esses idosos, 10,5% são mulheres e 7,9% são homens, evidenciando a maior longevidade feminina.

Outro fator que acelera esse cenário é a chegada da Geração X à terceira idade. Entre os paulistas, 549 mil pessoas têm exatamente 60 anos e fazem parte dessa geração, formada pelos nascidos entre 1965 e 1980. Esse grupo representa 6,6% da população idosa. Com isso, o contingente de pessoas com 60 anos ou mais já se aproxima daquele formado pelas pessoas entre 45 e 60 anos, que reúne 9,2 milhões de habitantes.

Velocidade do envelhecimento nas últimas décadas

A velocidade com que a população paulista está envelhecendo é bastante rápida. O índice de envelhecimento, que mede o número de pessoas com 60 anos ou mais por 100 indivíduos de 0 a 14 anos, cresceu 8,7 vezes entre 1950 e 2025. Para entender a magnitude dessa mudança, vejamos a evolução: em 2000, havia 34,1 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos; em 2010, essa relação subiu para 53,9; em 2020, atingiu 82,3; e, em 2025, ultrapassou pela primeira vez a marca de 100.

Essa trajetória revela uma alteração profunda. Em 1950, a população paulista era predominantemente jovem, com apenas 11,6 idosos por 100 crianças e adolescentes de até 15 anos. No início do século XXI, o índice chegou a 34,1. Em 2025, temos praticamente um idoso para cada pessoa com menos de 15 anos. Isso revela uma mudança estrutural importante, indicando que a sociedade paulista se torna progressivamente mais envelhecida e que os serviços de saúde e previdência precisarão se adaptar a essa nova realidade.

Diferenças regionais nos municípios

O avanço do envelhecimento não é uniforme; ele também atingiu os municípios paulistas, mas com intensidades diferentes. Em 2000, Águas de São Pedro era o único município do estado em que o número de idosos superava o de crianças e adolescentes, com um índice de 110,9. Em 2025, os indicadores estão mais elevados em todo o estado, embora permaneçam diferenças regionais: os menores índices continuam concentrados ao sul do estado, enquanto ao norte predominam municípios com mais de 120 idosos para cada 100 pessoas com menos de 15 anos.

Atualmente, o município de Turmalina registra o maior índice de envelhecimento do estado, com 322,0, superando Águas de São Pedro, que agora apresenta 270,1. Esse cenário extremo reflete, em geral, a combinação da baixa fecundidade com o aumento da expectativa de vida, fatores que são mais acentuados em regiões do interior e do norte do estado.

Em 2000, os municípios com os menores índices de envelhecimento concentravam-se ao sul e no litoral paulista. Na época, destacava-se Francisco Morato, na região metropolitana, com índice de 11,5%, mostrando uma forte predominância de jovens. No norte do estado, a maioria dos municípios apresentava índices superiores a 40% e estava mais concentrada a noroeste. O único município em que o número de pessoas da terceira idade superava o de jovens era, novamente, Águas de São Pedro (110,9%), localizada na região central.

Hoje, em 2025, os menores índices continuam no sul do estado. Um exemplo é Itapevi, na região metropolitana, com índice de 53,8%. Esse valor indica que, embora a população esteja envelhecendo, ainda há mais jovens do que idosos. No norte do estado, predominam os municípios com índices de envelhecimento superiores a 120%, sobretudo na região noroeste, indicando uma população muito mais envelhecida. No conjunto, os índices aumentaram significativamente, sendo que as áreas localizadas a noroeste do estado continuam apresentando os maiores valores. Esse processo está associado, sobretudo, à combinação de baixa fecundidade e aumento da expectativa de vida.