A Anvisa alerta que o uso de testosterona sem indicação médica não traz benefícios como emagrecimento ou rejuvenescimento e pode causar sérios riscos à saúde. Entenda os perigos e quando o hormônio é realmente necessário.
A ideia de que toda mulher precisa repor testosterona para ter mais energia, ganhar massa muscular, melhorar a libido ou retardar o envelhecimento tem se espalhado nas redes sociais. No entanto, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta que essa afirmação é falsa.
- A testosterona só é indicada para mulheres em um caso específico: o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo em pacientes na pós-menopausa.
- O uso do hormônio sem necessidade pode causar acne, queda de cabelo, alterações no fígado, problemas de gordura no sangue e até problemas cardiovasculares.
- Não existem evidências científicas que comprovem benefícios da testosterona para emagrecimento, rejuvenescimento ou ganho de disposição em mulheres saudáveis.
- Entidades médicas como SBEM, Febrasgo e SBC divulgaram notas conjuntas alertando para os riscos do uso indiscriminado do hormônio.
- A Anvisa orienta que qualquer efeito colateral relacionado ao uso de medicamentos deve ser notificado aos canais oficiais de vigilância sanitária.
A reposição hormonal não é necessária para todos e deve ser indicada apenas em situações específicas, após avaliação médica. A decisão leva em conta sintomas, histórico de saúde, exames laboratoriais e critérios clínicos.
De acordo com sociedades médicas, a única indicação cientificamente reconhecida para o uso terapêutico da testosterona em mulheres é o tratamento do transtorno do desejo sexual hipoativo (TDSH) em pacientes na pós-menopausa.
Mesmo nesses casos, o tratamento só deve ser considerado após a avaliação de outras possíveis causas e quando os sintomas persistem.
Entidades médicas alertam para o uso indiscriminado
Uma nota conjunta publicada em maio de 2025 pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e pelo Departamento de Cardiologia da Mulher da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) reforça os riscos do uso indiscriminado da testosterona.
Segundo o documento, não há evidências científicas que sustentem a dosagem rotineira do hormônio ou diagnósticos baseados em suposto déficit androgênico como justificativa para prescrever testosterona a mulheres saudáveis. As entidades alertam que essa prática pode levar à utilização inadequada do hormônio.
Quais são os riscos
O uso de testosterona sem necessidade comprovada, em doses inadequadas ou associado a outras substâncias pode provocar efeitos adversos e aumentar os riscos à saúde. Por isso, promessas de rejuvenescimento, emagrecimento ou melhora do desempenho físico devem ser analisadas com cautela.
Entre os possíveis efeitos colaterais estão:
- Acne;
- Alopecia (queda significativa de cabelo);
- Alterações hepáticas;
- Dislipidemia, que altera os níveis de gordura no sangue e pode favorecer o acúmulo de placas nas artérias;
- Dependência psicológica;
- Problemas cardiovasculares.
A Anvisa orienta que qualquer evento adverso relacionado ao uso de medicamentos seja notificado aos canais oficiais de vigilância sanitária. Acesse aqui.

Anvisa faz alerta sobre testosterona em mulheres e derruba mito das redes sociais. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)



