Antes de começar o tratamento, uma triagem é feita para descobrir os hábitos de cada pessoa e definir a melhor forma de ajudá-la a parar de fumar.
Parar de fumar é um processo difícil que pode precisar de ajuda de especialistas. A dependência da nicotina, junto com os hábitos ligados ao cigarro e o uso dele para lidar com o estresse e outras emoções, faz com que parar de fumar seja um grande desafio para muitas pessoas. Por isso, o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP oferece um serviço de telemedicina que ajuda mais pessoas a terem acesso ao tratamento e ao acompanhamento para quem quer parar de fumar.
- No Brasil, 9,3% da população fuma, e cerca de 20 pessoas morrem a cada hora por doenças relacionadas ao cigarro.
- O tabagismo é considerado uma doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS) porque o cérebro se acostuma com a sensação de prazer que a nicotina causa.
- O SUS oferece tratamento gratuito para parar de fumar desde 1986, e qualquer pessoa pode procurar uma unidade de saúde para pedir ajuda.
- O Incor oferece acompanhamento por telemedicina com terapia em grupo, que acontece toda semana, às quartas-feiras, com novas turmas começando todo mês.
- Um estudo mostrou que, em apenas quatro sessões, muitos pacientes já reduziram pela metade a quantidade de cigarros que fumavam.
No Brasil, 9,3% da população fuma, e cerca de 20 pessoas morrem por hora por causa de doenças ligadas ao cigarro. Segundo Telma de Cássia dos Santos Nery, médica sanitarista e do trabalho da Divisão de Pneumologia do Incor, o tabagismo é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma doença. "O cérebro se acostuma com aquele sistema de recompensa, de prazer. As pessoas acabam sentindo como se o tabaco, como se fumar qualquer tipo de nicotina, trouxesse alegria e ajudasse a aliviar a tristeza e a angústia", explica.
Tratamento gratuito
Desde 1986, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito para quem quer parar de fumar. "Qualquer pessoa, em qualquer lugar, pode procurar uma unidade de saúde ou um serviço especializado do SUS e informar que tem dependência de nicotina ou que deseja parar de fumar", afirma a médica.
No Incor, o atendimento é para pacientes que são encaminhados ao serviço. Antes de começar o tratamento, é feita uma triagem para descobrir os hábitos de cada pessoa e definir a melhor estratégia para ajudá-la. Desde maio de 2021, o instituto oferece acompanhamento por telemedicina com o apoio da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). "Essa terapia em grupo começa todo mês. Na primeira quarta-feira iniciamos uma nova turma e realizamos quatro sessões, sempre às quartas-feiras", explica Telma.
Depois da avaliação inicial, a pessoa pode escolher entre o acompanhamento presencial, nos ambulatórios do Incor, ou o acompanhamento online. Os grupos de telemedicina reúnem, em média, entre 10 e 15 participantes. Para garantir a participação de todos, a equipe também ajuda quem tem dificuldade com as ferramentas digitais.
Resultados positivos
Entre 2021 e 2023, pesquisadores fizeram um estudo para avaliar a eficácia da telemedicina junto com a Terapia Cognitivo-Comportamental para ajudar as pessoas a pararem de fumar.
A pesquisa analisou coisas como a frequência nas quatro sessões semanais, idade, sexo, raça/cor, redução do número de cigarros e se a pessoa parou de fumar de vez. No total, 154 pessoas foram avaliadas. Os resultados mostraram que 5% dos pacientes reduziram em 50% o consumo de cigarros já na primeira sessão; 16% alcançaram essa redução na segunda; 18% na terceira; e 5% na quarta sessão.
Em um momento em que o cigarro e os dispositivos de nicotina voltam a ganhar visibilidade nas redes sociais e em diferentes contextos culturais, reforçar as ações de prevenção e conscientização torna-se ainda mais importante. Para Telma, ampliar o acesso à informação sobre os riscos do tabagismo continua sendo uma das principais estratégias para evitar que novas gerações desenvolvam dependência da nicotina.

Em um momento em que o cigarro e os dispositivos de nicotina voltam a ganhar visibilidade nas redes sociais e em diferentes contextos culturais, reforçar as ações de prevenção e conscientização torna-se ainda mais importante. Foto: Governo de SP


