Deputada exilada pede dinheiro a apoiadores para pagar conta na Itália

Política 03/11/2026 15:30 Fernando Keller, Jovem Pan jovempan.com.br Roma IT

A ex-deputada Carla Zambelli, que se encontra no exterior aguardando a definição do seu pedido de extradição para o Brasil, fez um pedido direto aos seus apoiadores. Ela alegou que o bloqueio de sua conta bancária e a ausência de documento válido a impedem de conseguir um emprego para o sustento na Itália.

A ex-deputada Carla Zambelli fez um pedido de ajuda financeira para se manter na Itália, onde ela se encontra desde o ano passado. Ela aguarda uma decisão da Justiça italiana sobre o seu pedido de extradição para o Brasil.

Zambelli diz que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, registrou o seu nome na Interpol por supostos crimes financeiros. Por isso, ela alega não conseguir abrir uma conta bancária em nenhum lugar do mundo.

Para trabalhar na Itália, a ex-deputada precisa obrigatoriamente ter uma conta bancária no seu próprio nome. Sem ela, não é possível receber o salário. Por esse motivo, ela pediu a seus seguidores um valor fixo de R$ 50 por mês.

Em troca da doação mensal, ela prometeu acesso exclusivo a uma comunidade online com conteúdos de várias áreas do conhecimento. Entre os assuntos, ela citou que abordaria sua experiência em prisão e o que aprendeu durante esse período.

Situação financeira

Zambelli disse que esse pedido de ajuda financeira seria temporário. Segundo ela, ela precisa apenas de R$ 50 por mês até resolver a sua situação jurídica no Brasil e conseguir voltar para o país.

  • Carla Zambelli não pode abrir conta em nenhum país, segundo ela mesma;
  • O bloqueio seria devido ao registro dela na Interpol por crimes financeiros;
  • Pediu R$ 50 mensais para pagar contas básicas na Itália;
  • A promessa de conteúdo exclusivo foi usada como contrapartida para os doadores;
  • Ela considera o pedido apenas como uma medida provisória.

Tramita extradição na Itália

A Justiça da Itália marcou nova data para o julgamento de extradição em 24 de novembro. O caso envolve dois condenações no Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira diz respeito ao porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, no caso da perseguição a um jornalista em São Paulo em 2022.

A Corte de Apelação de Roma atendeu a um pedido da defesa para adiar o julgamento. O motivo alegado foi que ela não teve acesso à documentação enviada pelo Brasil sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal.

Caminhos e rejeições anteriores

Em uma primeira fase, a justiça italiana autorizou a extradição. Porém, a defesa conseguiu que a Corte de Cassação, que é a última instância de recurso, realizasse um novo julgamento. Isso ocorreu por falta de informações detalhadas sobre as condições carcerárias no Brasil.

Esse é o segundo processo de extradição da deputada em andamento. A primeira vez, o pedido foi autorizado inicialmente pela primeira instância, mas foi revogado pela Corte de Cassação. O motivo dado então foi a suposta falta de imparcialidade do ministro Alexandre de Moraes no julgamento pelo STF.

A defesa exige documentos

O advogado Eduardo Maurício, que representa a ex-deputada, afirmou que não seria possível manter o julgamento sem a documentação sobre as condições de saúde dela. Ele disse que extraditá-la seria o mesmo que entregá-la à morte.

Segundo a defesa, o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante. Por isso, a defesa insiste em exigir acesso aos documentos antes da decisão final sobre a extradição.

Casos no STF e fuga

Em 2025, o STF condenou Carla Zambelli a 10 anos de prisão por invasão de sistema informático e falsidade ideológica. Ela foi considerada culpada de planejar a invasão ao Conselho Nacional de Justiça para inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.

Pouco depois, ela foi condenada novamente pelo STF a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal. O caso envolvia a perseguição ao jornalista Luan Araújo nas ruas de São Paulo, dias antes das eleições de 2022.

Antes que fosse expedida a ordem de prisão, Zambelli usou seu passaporte europeu para fugir dos Estados Unidos e chegar à Itália. Lá, ela pediu asilo por suposta perseguição política.

Ela já foi presa em Roma a pedido do STF. Foi solta após o primeiro pedido de extradição ser negado de forma definitiva. Agora, ela aguarda o segundo julgamento de extradição na Corte de Roma.