Lula vence eleição e promete controlar redes sociais para combater interferência estrangeira

Política Eleições 26/10/2026 08:10 Bruno Bocchini e Camila Boehm - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br São Paulo SP

Após vencer a reeleição com ampla margem, o presidente Lula comemorou o resultado, agradeceu aos eleitores, especialmente os jovens, e declarou que seu novo mandato será focado em regular as big techs, exigir pagamento de impostos e ampliar a participação popular no governo.

Notícia de Hoje

No primeiro discurso após vencer as eleições presidenciais deste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que conquistou mais de 64 milhões de votos, agradeceu ao povo brasileiro. Ele destacou a importância da votação, mencionando especificamente a juventude e as pessoas idosas, e afirmou que o desafio principal será regular as plataformas digitais, que segundo ele vieram de fora para interferir no processo eleitoral.

  • Lula foi reeleito para um quarto mandato, acumulando um total de quatro eleições presidenciais vitoriosas.
  • O presidente prometeu obrigar grandes empresas de tecnologia a pagar impostos no Brasil.
  • Lula completará 81 anos na terça-feira (27) e é o único presidente sem diploma universitário a ser eleito quatro vezes.
  • O novo governo terá forte participação popular e a comunicação digital terá papel central.
  • Flávio Bolsonaro, adversário derrotado, não reconheceu a vitória e já planeja pedir a anulação do pleito.

Combate às Big Techs e transparência

O presidente foi enfático ao afirmar: É uma eleição em que a gente teve que vencer a intromissão vinda de fora para dentro através de plataformas digitais, que nós vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência que o crime no mundo digital tem que ser tratado igual crime na vida real. Ele acrescentou que não é aceitável ter empresas gigantes ganhando bilhões de reais sem pagar impostos no país, enquanto tentam influenciar o resultado das urnas.

Nós não podemos ter empresas monstruosas de grande, ganhando bilhões e bilhões, não pagando nenhum imposto para esse país e tentando direcionar o resultado eleitoral desse país, declarou o presidente.

Reconhecimento histórico

Lula, que se tornará o quarto presidente eleito sem diploma de graduação, lembrou que já governou o país de 2003 a 2010 e de 2023 a 2026. Ele classificou o resultado como um momento histórico para a política nacional, fruto de uma intensa mobilização coletiva. O presidente expressou gratidão pela generosidade do povo brasileiro que há muito tempo confia em sua gestão. Ele fez questão de agradecer aos jovens que foram às ruas defender a democracia e às pessoas idosas, que muitas vezes precisam de ajuda para ir votar.

Eu vi muitas cenas hoje de pessoas sendo carregadas pelos seus netos para ir votar, pessoas impossibilitadas de se locomover, pessoas com câncer e com outros tipos de doença, e as pessoas foram votar porque nós conseguimos convencê-las de que o voto era muito importante para assegurar a democracia do país, narrou Lula.

Mudança no estilo de governo

As eleições de 2026 trouxeram lições importantes, segundo o presidente. Ele agradeceu ao deputado federal André Janones, que coordenou a campanha nas redes sociais. Lula garantiu que mudará o jeito de governar, prometendo que o povo participará mais das decisões e que a comunicação digital terá um espaço significativo no Executivo.

Eu posso garantir para vocês que nós vamos mudar o jeito de governar esse país. Quero dizer para vocês que nós vamos fazer o povo participar mais nas nossas decisões. E quero dizer para vocês que a comunicação digital vai ganhar um espaço muito grande no meu governo, afirmou.

O presidente também declarou: Não vou ficar permitido ser interpretado por jornalista com má fé. Eu vou dizer o que eu penso, o que eu faço. O discurso ocorreu por volta das 22h20 no hotel InterContinental, na capital paulista. Em seguida, Lula seguiu para a avenida Paulista, onde está havendo uma grande festa de comemoração organizada por seus apoiadores.

Presença de autoridades

Estiveram presentes na coletiva o vice-presidente Geraldo Alckmin; o deputado federal reeleito André Janones; o ministro da Saúde, Alexandre Padilha; o ministro de Desenvolvimento Social, Wellington Dias; a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck; a ministra da Secretaria-Geral da Presidência da República; e a deputada federal Sâmia Bonfim.

Também participaram o deputado estadual Eduardo Suplicy; o ex-ministro da Fazenda e candidato derrotado ao governo de São Paulo, Fernando Haddad; o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante; o senador Camilo Santana; a ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet; o ex-prefeito de Recife, João Campos; e o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, que coordenou a comunicação da campanha.

Democracia e direitos humanos

Após o primeiro turno, milhares de brasileiros foram às ruas em todas as regiões do país para defender a democracia, a Constituição Federal e os direitos adquiridos após o fim da ditadura militar. A área de direitos humanos é historicamente um ponto de divergência entre os dois principais candidatos.

Enquanto Lula construiu sua carreira política no fim dos anos 1970 combatendo a ditadura e as violações de direitos do regime, Flávio Bolsonaro é herdeiro político de Jair Bolsonaro, que foi um defensor notório da ditadura e admirador do coronel Carlos Brilhante Ustra, apontado pela Comissão Nacional da Verdade como responsável por torturas e mortes no período.

Prioridades na economia

No plano econômico, Lula aposta na continuidade do modelo atual, focando em investimentos públicos, programas sociais e valorização da renda. O presidente pretende manter e melhorar programas como o Bolsa Família e o Minha Casa, Minha Vida, além de preservar as políticas de combate à fome.

A gestão manterá o arcabouço fiscal, que limita o crescimento das despesas públicas. Na área de impostos, Lula defende maior progressividade, fazendo com que as rendas mais altas contribuam proporcionalmente mais para financiar o Estado.

O presidente também defende a valorização real do salário mínimo, a manutenção dos direitos trabalhistas e a ampliação da proteção social. A política econômica incluirá investimentos em infraestrutura, reindustrialização, inovação e energia renovável.

Foco na educação

Para Lula, a educação é o principal instrumento de transformação social. As propostas incluem a construção de creches e pré-escolas, a ampliação da formação docente, a valorização dos professores e o aumento das matrículas em tempo integral. Também há o aprimoramento de programas como o Pé-de-Meia.

O presidente destaca medidas para elevar o interesse por profissões de licenciatura, a exemplo do Pé-de-Meia Licenciatura. Por meio do reforço do programa Bolsa Mais Professores, o governo quer atrair e manter docentes nas redes públicas de educação básica, especialmente em áreas com falta de profissionais.