Globo muda regras do debate para barrar intimidação de Flávio Bolsonaro

Política Debate 22/10/2026 15:44 Rafael Damas | Notícias ao Minuto noticiasaominuto.com.br

A TV Globo estabeleceu novas diretrizes para o último debate presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro, proibindo movimentos intimidatórios e criando um sistema de checagem de dados em tempo real com apoio de entidades de imprensa.

Nesta sexta-feira (23), a TV Globo exibirá o último confronto entre os candidatos à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. Após a polêmica do debate na Band, onde Flávio Bolsonaro foi criticado por circular atrás de Lula em uma tentativa de intimidação, a nova emissora optou por mudanças significativas na dinâmica.

A Globo, que media o encontro com César Tralli após o Jornal Nacional, definiu regras focadas em propostas de governo. O formato permite embates diretos e mobilidade no cenário, mas com o objetivo central de ampliar o tempo de fala para apresentação de ideias sobre temas prioritários do país.

  • O debate será dividido em quatro blocos com tempos distintos de fala.
  • Flávio Bolsonaro não poderá ficar atrás de Lula ou cercá-lo, apenas movimentar-se pelo palco.
  • Haverá uma rodada com temas regionais e outra com temas sorteados ao vivo em um telão.
  • Entidades de combate à desinformação farão checagem de fatos em tempo real.
  • Os candidatos concederão coletivas de 10 minutos após o fim do debate.

Novas regras de movimentação e tempo de fala

As mudanças frustram a estratégia de aproximação física do candidato do PL. Flávio Bolsonaro poderá se mover pelo cenário, mas está proibido de posicionar-se atrás de Lula ou cerca-lo. A intenção da produção é garantir que ambos os candidatos tenham espaço acústico e visual para apresentar suas propostas sem pressão física.

O formato combina rodadas com temas pré-determinados, sorteios de assuntos ao vivo e um bloco final com gestão livre de tempo. A estrutura busca um equilíbrio entre a preparação de perguntas e a resposta imediata, evitando o excesso de interrupções.

Estrutura dos blocos do debate na Globo

Primeiro Bloco (Temas Regionais e Prioridades Nacionais): Será composto por seis rodadas com perguntas focadas nas diferentes regiões do Brasil e em um tema prioritário nacional. Cada candidato disporá de três minutos por rodada, tempo dividido entre a elaboração da pergunta e a réplica, ou a resposta e a tréplica.

Segundo e Terceiro Blocos (Temas Sorteados no Telão): Os candidatos escolherão os assuntos exibidos no telão do estúdio para direcionar as perguntas ao oponente, mantendo o limite de três minutos por rodada. Nos três blocos iniciais, quem estiver com a palavra poderá se movimentar livremente pelo cenário, enquanto o adversário deverá aguardar em seu púlpito.

Quarto Bloco (Tema Livre e Banco de Tempo): Com tema totalmente livre, cada candidato terá um banco de tempo de oito minutos, podendo administrar sua fala sem limite de intervenções. Durante este bloco, ambos poderão se movimentar livremente pelo seu respectivo lado do estúdio.

Coletiva de Imprensa: Após o encerramento do debate e das considerações finais, os dois candidatos concederão entrevistas coletivas de 10 minutos cada na sala de imprensa. A ordem foi definida por sorteio na presença das campanhas: primeiro Luiz Inácio Lula da Silva e, em seguida, Flávio Bolsonaro.

Checagem de dados em tempo real

O telespectador poderá conferir, em tempo real, a checagem de informações apresentadas pelos candidatos durante o confronto. Além do quadro 'Fato ou Fake' da própria emissora, outra iniciativa foi organizada por jornalistas, pesquisadores e entidades ligadas à comunicação e ao enfrentamento da desinformação.

Participam da mobilização a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Rede Nacional de Combate à Desinformação (RNCD), a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom), a Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor) e a AletheiaFact.org.

A iniciativa reúne também entidades como a Associação Brasileira de Pesquisadores de História da Mídia (Alcar), a Socicom, a COAR Notícias e o Coletivo Bereia.

Segundo a Agência Brasil, os organizadores, profissionais e instituições parceiras atuarão em uma sala virtual de checagem para analisar as afirmações feitas pelos candidatos ao longo de todo o debate.