Amigo de Flávio Bolsonaro pagou para apagar notícias da internet

Política 21/10/2026 14:31 Folhamax folhamax.com Cuiabá MT

Investigação da Polícia Federal revelou que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro, pagou uma empresa para remover reportagens da internet que o relacionavam ao parlamentar. A defesa afirma que se tratava apenas de conteúdo antigo, mas a medida ocorreu durante um inquérito no STF por lavagem de dinheiro.

Mensagens e documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez pagamentos para retirar da internet reportagens que o relacionavam ao parlamentar, que é candidato à Presidência. A prática, conhecida como remoção ou desindexação, visa fazer com que os links não apareçam mais nos resultados de busca.

O advogado Willer e o senador Flávio Bolsonaro são investigados em um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro. O caso está sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Segundo o relatório da investigação, a PF encontrou no celular de Willer mensagens enviadas por um serviço que oferece a remoção de conteúdos negativos da internet.

  • Willer Tomaz pagou uma empresa especializada para apagar links que o associavam a Flávio Bolsonaro.
  • O custo total da remoção de 12 reportagens foi de R$ 9 mil, após um desconto.
  • A defesa de Willer alega que se tratava de limpeza de conteúdo antigo e desatualizado.
  • O inquérito principal no STF investiga suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
  • Flávio Bolsonaro é o segundo investigado em um processo no STF nesta legislatura.

Investigação no Supremo Tribunal Federal

O caso foi inicialmente revelado pelo jornal O Globo e confirmado pela TV Globo. O número registrado no contato pertence à empresa "Seu Nome Novo de Novo", que afirma atuar na proteção da reputação digital com estratégias para remoção e desindexação de notícias, processos, imagens, vídeos e links que impactam o nome na internet. A empresa opera no setor de gestão de crise digital.

Uma planilha encontrada no material reúne 12 links de reportagens sobre Willer e indica que os conteúdos foram removidos pela empresa. Entre o material removido estão reportagens consideradas "prejudiciais à imagem de Willer Tomaz na internet", algumas das quais mencionavam o advogado e Flávio Bolsonaro. A PF aponta que os elementos analisados indicam que o advogado teria contratado e pago um terceiro para retirar ou desindexar esses conteúdos dos resultados de busca do Google.

Detalhes dos pagamentos e valores

Entre as notícias listadas na planilha estavam uma reportagem sobre uma disputa envolvendo uma mansão milionária que citava Willer como amigo do filho de Bolsonaro e outra sobre Flávio Bolsonaro, cassinos e operadoras em Las Vegas. O material não está mais disponível. As mensagens analisadas pela PF foram enviadas em outubro de 2025. Nelas, o perfil da empresa informou que cobraria R$ 1 mil pela remoção de cada link, o que totalizaria R$ 12 mil.

"Entre esse material, foram identificadas imagens relacionadas a investigações pretéritas, reportagens e conteúdos potencialmente prejudiciais à sua imagem pública. Nesse contexto, os elementos analisados indicam, ainda, que o investigado teria contratado e remunerado um terceiro com a finalidade de promover a remoção ou desindexação desses conteúdos dos resultados de busca do Google", aponta o documento. No entanto, o representante afirmou que seria dado um desconto porque Willer já havia pago R$ 3 mil pela remoção de um link que teria voltado a aparecer, totalizando então em R$ 9 mil o valor a ser pago por Willer.

Defesa alega limpeza de conteúdo antigo

Advogado afirma que medida se refere a uma ação sobre "conteúdo desatualizado". Em nota, a defesa de Willer afirmou que a medida se refere a uma ação sobre "conteúdos antigos e desatualizados". "Willer Tomaz jamais buscou desvincular sua imagem da de Flávio Bolsonaro, de quem é amigo. Que um relatório da PF se ocupe disso, sem qualquer relação com o objeto da investigação, só confirma que se trata de uma pescaria probatória com fins eleitorais", declarou a defesa.

Contexto do inquérito por lavagem de dinheiro

O STF abriu inquérito para apurar suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz, empresas dele e o senador e candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL). O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do inquérito. A investigação começou na primeira instância da Justiça Federal no Rio Grande do Sul, onde eram apurados crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas e a utilização de casas de apostas no suposto esquema.

A PF gaúcha quebrou o sigilo telemático de Willer Tomaz e encontrou e-mails que apontavam que Flávio Bolsonaro foi cadastrado como "usuário master" de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade de Tomaz. Devido ao foro especial do senador Flávio, o caso subiu do Rio Grande do Sul para o Supremo em 8 de outubro. A Procuradoria-Geral da República analisou os indícios e se manifestou pela abertura da investigação.

Esse é o segundo inquérito no STF em que Flávio é um dos investigados. O primeiro, sob relatoria do ministro André Mendonça, foi aberto em julho e apura o financiamento do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio e o advogado Willer Tomaz são amigos e têm afirmado que não têm negócios juntos.