Donald Trump comparou a rapidez na apuração das eleições no Brasil com a demora nos Estados Unidos, classificando o sistema americano como 'corrupto'.
Donald Trump colocou o Brasil no centro de uma nova ofensiva contra o sistema eleitoral dos Estados Unidos.
Após acompanhar a rápida divulgação dos resultados do primeiro turno da eleição presidencial brasileira, o presidente americano comparou os dois países e disparou: Votar na América é CORRUPTO!!!
- O Brasil teve cerca de 125 milhões de votos contabilizados no mesmo dia da votação.
- Trump citou demoras na contagem em estados americanos como Michigan, Pensilvânia e Califórnia.
- O presidente americano usou o termo 'rigged' (fraudulento) antes de 'corrigir' para 'calculated' (calculado).
- A declaração ocorre menos de um mês antes das eleições legislativas nos EUA em novembro.
- O sistema americano é descentralizado, diferindo da votação eletrônica unificada do Brasil.
Trump chamou atenção para o fato de aproximadamente 125 milhões de brasileiros terem comparecido às urnas e de o resultado ter sido conhecido poucas horas depois do encerramento da votação.
125 milhões de pessoas votaram hoje no primeiro turno da eleição presidencial do Brasil. Os resultados saíram pouco depois do encerramento da votação, NO MESMO DIA!, escreveu.
Comparação polêmica entre sistemas eleitorais
Mas foi na sequência que Trump elevou o tom.
O republicano citou diretamente Detroit, Filadélfia e Califórnia para ironizar a demora que pode ocorrer na contagem americana.
Em Detroit, Filadélfia, Califórnia e inúmeras outras cidades e estados americanos, os resultados, com números muito menores, muitas vezes levam semanas para serem manipulados quero dizer, calculados, escreveu.
A escolha das palavras não foi acidental. Trump escreveu rig, termo que pode significar manipular ou fraudar, e imediatamente se corrigiu para calculate, que significa calcular.
A provocação terminou com a acusação mais contundente da postagem:
Voting in America is CORRUPT!!!
Impacto político nos Estados Unidos
A comparação com o Brasil reacende um dos temas mais explosivos da política americana: a confiança nas eleições.
Trump há anos questiona procedimentos eleitorais adotados nos Estados Unidos, especialmente a votação pelo correio e a demora na apuração em determinados estados. A nova declaração ocorre a menos de um mês das eleições legislativas americanas de novembro.
A comparação, porém, coloca lado a lado dois sistemas profundamente diferentes.
O Brasil possui votação eletrônica e uma Justiça Eleitoral nacional responsável pela organização e totalização dos votos. Nos Estados Unidos, a eleição é altamente descentralizada, com cada estado estabelecendo regras próprias para votos presenciais, cédulas enviadas pelo correio, votos provisórios e certificação dos resultados.
Por isso, resultados divulgados na noite da eleição americana são considerados preliminares. A demora na contabilização ou certificação, isoladamente, não representa evidência de fraude e Trump não apresentou provas na publicação para sustentar a acusação de que o sistema eleitoral dos Estados Unidos seja corrupto.
Ainda assim, a mensagem é politicamente poderosa: Trump transformou a eleição brasileira em argumento para atacar o modelo eleitoral do próprio país.
E fez isso justamente usando um contraste difícil de ignorar: enquanto mais de 100 milhões de votos foram contabilizados rapidamente no Brasil, algumas disputas americanas podem permanecer sem resultado definitivo por dias.
A diferença está agora no centro da provocação lançada pelo presidente americano: se o Brasil consegue divulgar uma eleição nacional gigantesca no mesmo dia, por que os Estados Unidos demoram tanto

BRENDAN SMIALOWSKI / AFP


