Trinta e um parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta formal ao secretário de Estado, Marco Rubio, cobrando que o governo de Donald Trump respeite a soberania do Brasil. Os políticos acusam a administração americana de tentar ajudar o candidato Flávio Bolsonaro, ex-presidente Jair Bolsonaro e o ministro Alexandre de Moraes, usando sanções e ameaças econômicas. A carta pede que os EUA reconheçam o resultado das urnas independentemente de quem vença, evitando o enfraquecimento da segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental.
Parlamentares dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado do país, Marco Rubio, afirmando que o governo de Donald Trump não pode interferir nas eleições do Brasil. A carta foi assinada por 31 parlamentares do partido democrata, de oposição a Trump, e encaminhada a Rubio nesta quinta-feira (24).
- Interferência: Os democratas acusam o governo Trump de tentar garantir a vitória de Flávio Bolsonaro.
- Sanções: Foram citadas tarifas sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes.
- Pessoa indicada: Darren Beattie, descrito como "extremista de direita", foi apontado como assessor do governo dos EUA para assuntos do Brasil.
- Comparação: A carta lembra que o governo anterior de Joe Biden apoiou o sistema eleitoral brasileiro em 2022.
- Pedido: Os políticos exigem que os EUA reconheçam o resultado das urnas e mantenham relações diplomáticas normais com o vencedor.
Os democratas falam em um "esforço coordenado do governo [de Donald Trump] para ameaçar nossa aliança estratégica com o Brasil e enfraquecer a segunda maior democracia do Hemisfério Ocidental às vésperas da eleição presidencial de outubro de 2026".
Na carta, os democratas acusam o governo Trump de tomar uma série de medidas para tentar garantir a vitória de Flávio Bolsonaro, candidato da extrema direita e alinhado politicamente com Trump.
Pressão econômica e política
Entre essas medidas estariam a imposição de tarifas a produtos brasileiros para evitar a condenação de Jair Bolsonaro, pai de Flávio, por golpe de Estado. O ex-presidente foi condenado a mais de 27 anos de prisão. Atualmente, cumpre prisão domiciliar.
Também citaram a indicação de Darren Beattie como assessor sênior para assuntos relativos ao Brasil. Segundo os democratas, Beattie é um "conhecido extremista de direita e supremacista branco". Ele tentou vir ao Brasil em março para visitar Jair Bolsonaro, mas teve sua entrada no país negada.
Os parlamentares compararam o comportamento da gestão Joe Biden diante das eleições brasileiras de 2022, quando houve apoio ao sistema eleitoral e reconhecimento do resultado obtido nas urnas.
"Em vez de ajudar a defender a democracia brasileira, os Estados Unidos atuam como agentes de interferência e desestabilização, exercendo pressão diplomática, econômica e política de maneiras que podem enfraquecer as instituições democráticas do país, minar a confiança no processo eleitoral brasileiro e causar danos adicionais à nossa relação com um aliado estratégico e parceiro comercial dos Estados Unidos", acrescentaram.
A carta afirmou que as ações do governo estadunidense "refletem um amplo e profundamente preocupante padrão de interferência da administração Trump nos recentes processos eleitorais na América Latina". E citaram as recentes eleições na Colômbia e em Honduras, bem como as eleições de meio de mandato na Argentina, governada por Javier Milei.
Exigências específicas
Além disso, os parlamentares pediram explicações em relação a várias medidas do governo dos Estados Unidos em relação ao Brasil. Entre elas:
- A aplicação da Lei Magnitsky ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes;
- A classificação das facções criminosas Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas e
- A revogação do visto da embaixadora do Brasil no país, Maria Luiza Viotti.
Na carta, eles também pedem que o governo dos EUA se comprometa a respeitar o processo eleitoral do Brasil e reconhecer o resultado das urnas, além de manter "relações diplomáticas normais" com o candidato eleito, seja ele quem for.
Resposta de Lula na ONU
Em seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania dos países e citou tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos nacionais, sobretudo na América Latina e no Caribe.
"Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais, a divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos", disse, ao citar contextos recentes registrados na Venezuela, na Nicarágua, no Haiti e em Cuba.

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