Lula viu as suspeitas como baseadas em conversas e afirmou que o filho não tem provas de irregularidades, mantendo posição de defesa e citando a necessidade de investigar com rigor.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foi sabatinado pela TV Globo nesta quinta-feira e defendeu o filho, Fábio Luís Lula da Silva, ao mesmo tempo em que reconheceu que é "totalmente errado" que seu ex-chefe de gabinete, Marco Aurélio Santana Ribeiro (Marcola), tenha recebido recursos de uma lobista. Lula disse que não houve até o momento uma acusação formal contra o filho, apenas suspeitas baseadas em conversas telefônicas e outros elementos da investigação. "Uma conversa de telefone não justifica nada. São ilusões tiradas de telefonemas", afirmou.
O presidente afirmou ainda que não pretende proteger o Lulinha caso fique comprovado algum ilícito e completou: "Se ele cometeu qualquer ilícito, ele terá de pagar". Além disso, disse que não planeja trocar delegados da PF nem mexer na condução das investigações. "Não haverá um milímetro de movimento", garantiu.
Sobre o filho, Lula afirmou que a PF não encontrou, até o momento, provas de desvio de dinheiro público ou de conversas do filho com ministros. "Até agora, não existe uma prova de um centavo público ou de uma conversa de um filho com algum ministro", disse. O presidente também disse não conhecer Roberta Luchsinger, citada nas investigações, e questionou se a mulher poderia ter liberado o dinheiro que estaria atrás.
O presidente defendeu a presunção de inocência de investigados que ainda não foram condenados, citando o caso de Marcola. Questionado sobre a aceitabilidade de o chefe de gabinete receber recursos e joias, Lula disse que "é totalmente errado" e que o Marcola sabia disso, pois não é função do chefe de gabinete receber esse tipo de apoio. Lula ressaltou que a relação entre Marcola e Roberta gerou suspeita e desconfiança no Palácio do Planalto, mas afirmou que não pode desfechar um juízo sem esclarecimentos.
O presidente também abordou as fraudes no INSS e destacou que aliados atuaram para prender os responsáveis e reembolsar aposentados e pensionistas prejudicados. Sobre o ex-ministro Carlos Lupi, houve questionamento sobre a manutenção da aliança política após o episódio, ao que Lula respondeu que Lupi não está condenado e que é um cidadão livre.
Quanto à fila do INSS, Lula afirmou que deverá zerar essa fila na próxima semana, segundo ele, com 251 mil pessoas aguardando atendimento, um número considerado dentro da normalidade. Também defendeu Jaques Wagner, senador da Bahia, mesmo diante de investigações que envolvem supostas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, dizendo que pessoas são inocentes até que se prove o contrário.
Na sabatina, o presidente comentou a situação dos Correios e reiterou que não pretende vendê-los, apontando que há necessidade de enxugamento de contas, mantendo a importância estratégica da estatal para o país e para as diferentes regiões.
Ao final, Lula ressaltou sua trajetória pessoal e política, destacando que, aos 80 anos, considera estar no melhor momento de sua vida pública e citou ter contribuído para a criação de universidades no Brasil, ainda que não possua diploma universitário.

Lula disse que nunca teve 'problema fiscal' e voltou a falar na criação do Ministério da Segurança Pública - Reprodução / TV Globo


