O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está evitando a mídia tradicional e os debates de primeiro turno, preferindo conversas descontraídas em podcasts e canais digitais. Essa estratégia permite um ambiente mais amigável, com menos perguntas difíceis sobre escândalos e investigações.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está evitando entrevistas à imprensa tradicional e sinalizou que não participará dos debates presidenciais no primeiro turno. Em vez disso, ele tem dado entrevistas a comunicadores digitais, que oferecem um clima mais informal e menos perguntas sobre temas desconfortáveis para o petista.
Antes da pré-campanha, a estratégia era conciliar as viagens de Lula aos Estados com entrevistas exclusivas a canais de TV e rádios locais. Entrevistas a veículos tradicionais que cobrem diariamente o Palácio do Planalto ficaram raras. A última entrevista de Lula foi à TV Record, em julho de 2025, logo após o anúncio do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos.
- Lula não participará dos debates de primeiro turno; o primeiro, marcado para 23 de agosto, será sem ele.
- Ele prefere podcasts como Inteligência Ltda., Meteoro Brasil e Os Três Elementos, onde o tom é mais amigável.
- Na entrevista ao Inteligência Ltda., o foco foi a história de vida do presidente, sem perguntas duras.
- Seu filho Fábio Luís, o Lulinha, enfrenta três investigações no STF por suspeita de tráfico de influência.
- O ex-chefe de gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, recebeu dinheiro de uma empresária ligada ao escândalo do INSS.
Com a campanha se aproximando, Lula deixou de falar com veículos regionais e agora aposta em entrevistas informais para a mídia digital, como podcasts e videocasts. Esse tipo de ambiente permite uma conversa mais descontraída e menos focada nos temas tensos, geralmente menos hostil.
Nesta sexta-feira, 14, Lula dará entrevista ao podcast 'Não Inviabilize', com Deia Freitas, e ao 'As Cunhãs', com Inês Aparecida e Hébelly Rebouças. O 'Não Inviabilize' é o podcast brasileiro mais ouvido no Spotify, mas não é jornalístico aborda relatos cotidianos e conflitos de relacionamento.
Nas últimas semanas, Lula também conversou com os podcasts Inteligência Ltda., Meteoro Brasil e Os Três Elementos. Nesses programas, pouco se falou sobre temas incômodos, como a ligação de aliados com o escândalo do Banco Master, as investigações contra seu filho Fábio Luís e os pagamentos feitos pela empresária Roberta Luchsinger a seu ex-chefe de gabinete, Marcola.
No Inteligência Ltda., o papo foi focado na história de vida do presidente. Já no Meteoro Brasil e no Os Três Elementos, o clima foi ainda mais simpático, com elogios explícitos durante a conversa.
Enquanto isso, Lula não participou da sabatina da GloboNews com os candidatos seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL), também não foi. O presidente indicou que não deve participar dos debates do primeiro turno. O primeiro debate, que seria no domingo, 16, foi adiado para 23 de agosto, pois Lula marcou o lançamento de sua campanha para o dia 16 em São Bernardo do Campo (SP).
Escândalos na reta final
Esse 'gelo' com a mídia tradicional ocorre enquanto sua campanha enfrenta desgastes em sequência. Os principais casos são contra Fábio Luís e Marcola. Fábio é alvo de três investigações no STF, todas por suspeitas de tráfico de influência. Uma delas apura se ele tentou abrir portas no Ministério da Saúde para o lobista Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. Outra envolve a Dataprev. Na terceira, a suspeita é de benefício a uma empresa de tecnologia em contratos com o governo federal.
No caso de Marcola, o Poder360 revelou que ele recebeu dinheiro de Roberta Luchsinger, apontada como lobista ligada ao Careca do INSS. Em nota, Marcola confirmou o recebimento, mas disse que foi um empréstimo pessoal e que já pagou de volta. O caso veio à tona em 3 de agosto, e até agora o presidente não falou publicamente sobre o assunto.
Apesar dos escândalos, Lula lidera as pesquisas de intenção de voto. Pesquisa BTG/Nexus divulgada em 10 de agosto mostra o presidente com 40% das intenções, contra 35% de Flávio Bolsonaro. Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 5%, Renan Santos (Missão) com 4% e Romeu Zema (Novo) com 3%.

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