A Operação Heritage, da Polícia Federal, atingiu o ex-governador Mauro Mendes, sua esposa Virgínia e seu filho. Com as investigações, Fábio Garcia desistiu de ser vice de Otaviano Pivetta, e Virgínia pode desistir de concorrer a deputada federal, abalando a aliança política em Mato Grosso.
A crise política que atingiu o grupo do ex-governador Mauro Mendes (União) ficou ainda mais grave nesta semana e agora chega diretamente à família e aos planos eleitorais do ex-chefe do Executivo de Mato Grosso.
Segundo pessoas ligadas ao grupo ouvidas pela reportagem, a ex-primeira-dama Virgínia Mendes, que é candidata a deputada federal, estaria pensando em desistir da disputa por causa dos últimos acontecimentos que atingiram sua família e o grupo político liderado pelo marido.
- Virgínia Mendes, candidata a deputada federal, avalia desistir da eleição por causa da Operação Heritage.
- Fábio Garcia desistiu de ser candidato a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta.
- A Polícia Federal investiga um acordo de R$ 308 milhões entre o Governo de Mato Grosso e a Oi.
- Mauro Mendes, Virgínia e o filho do casal tiveram bens bloqueados e sigilos quebrados pela Justiça.
- A crise coloca em risco a aliança entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta para as eleições de 2026.
Até agora, não há anúncio oficial de desistência por parte de Virgínia. A informação circula nos bastidores e, se for confirmada, será um dos maiores impactos políticos já causados pela Operação Heritage, da Polícia Federal.
A operação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e atingiu Mauro Mendes, o deputado federal Fábio Garcia, Virgínia Mendes e outras pessoas e empresas. A investigação apura um acordo de R$ 308 milhões envolvendo o Governo de Mato Grosso e créditos da empresa Oi.
Além das buscas, a Justiça determinou medidas como bloqueio de bens e quebra de sigilo bancário e fiscal de dezenas de pessoas e empresas. Mauro Mendes e Virgínia Mendes tiveram bens atingidos, assim como o filho do casal, Luís Antônio Taveira Mendes.
Família no centro da turbulência
A situação colocou a família de Mauro Mendes em uma crise que vai além da Justiça e já afeta os planos eleitorais de 2026. A candidatura de Virgínia à Câmara dos Deputados era uma das principais apostas do grupo político. Se ela desistir, isso mudará toda a estratégia eleitoral da família Mendes.
Pessoas próximas ao grupo afirmam que os últimos acontecimentos trouxeram preocupação para a família e aumentaram a pressão sobre os projetos eleitorais. Neste momento, qualquer movimento público pode gerar novos problemas por causa das investigações.
Fábio Garcia abandona a vice de Pivetta
A crise ganhou um novo capítulo nesta terça-feira (11), quando Fábio Garcia anunciou que desistiu da candidatura a vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos). Garcia disse que a decisão está ligada às restrições impostas pela Justiça, que o impede de manter contato com Mauro Mendes.
Segundo o deputado, a impossibilidade de conversar e de estar no mesmo local que Mauro criou dificuldades práticas para uma campanha conjunta. Com isso, Fábio Garcia volta a disputar a reeleição para a Câmara dos Deputados. A mudança aconteceu poucos dias depois de ele ter sido escolhido para a vice de Pivetta.
A saída de Garcia mostra uma fragilidade nunca antes vista na aliança entre Pivetta e Mauro Mendes para as eleições de 2026.
Aliança que parecia forte começa a balançar
Até poucos dias atrás, a parceria entre Mauro Mendes e Otaviano Pivetta era vista como uma das bases eleitorais mais importantes de Mato Grosso. Agora, a Operação Heritage e seus desdobramentos colocam essa aliança sob muita pressão.
Pivetta não é investigado na operação, mas precisa lidar com a crise que atingiu pessoas do grupo que apoiava sua candidatura. Ele também precisa reorganizar a chapa a menos de dois meses das eleições. A possibilidade de substituir Fábio Garcia foi discutida nos bastidores para tentar diminuir o impacto político, mas a saída de Garcia não resolve tudo.
Mauro Mendes continua sendo um dos principais articuladores do grupo e é candidato ao Senado, enquanto sua família também está envolvida na crise.
Cidinho Santos entra no radar
Com a instabilidade, começa a ganhar força nos bastidores a possibilidade de o grupo de Mauro Mendes buscar uma alternativa própria para a disputa pelo Governo de Mato Grosso, caso a aliança com Pivetta se rompa. Nesse cenário, o nome do empresário e ex-senador Cidinho Santos (PP) aparece como uma possível opção para liderar uma candidatura ao Palácio Paiaguás.
Essa possibilidade ainda é tratada como conversa de bastidor e não representa uma decisão oficial de Mauro ou de Cidinho. Mas o simples fato de o nome circular mostra o tamanho da incerteza dentro do grupo.
O efeito dominó
Os acontecimentos estão formando uma espécie de efeito dominó. Primeiro, a Operação Heritage atingiu o núcleo político e empresarial ligado a Mauro Mendes. Depois, as medidas judiciais alcançaram o ex-governador, Virgínia e o filho do casal. Em seguida, Fábio Garcia deixou a chapa de Pivetta. Agora, Virgínia pode desistir da candidatura. E, ao mesmo tempo, cresce a especulação sobre o futuro da aliança entre Mauro e Pivetta.
Pressão sobre o projeto eleitoral dos Mendes
O que está em jogo não é apenas uma candidatura. Mauro Mendes construiu um dos grupos políticos mais influentes de Mato Grosso. As eleições de 2026 seriam o momento de garantir a continuidade desse poder, com Mauro disputando o Senado e aliados em posições estratégicas. A candidatura de Virgínia fazia parte desse plano.
Por isso, a desistência da ex-primeira-dama seria um sinal de que a crise já está mudando o planejamento da família. No entanto, até que Virgínia fale publicamente, a informação continua sendo apenas especulação.
Crise ainda está longe de terminar
A saída de Fábio Garcia da vice pode ser apenas o primeiro movimento de uma crise muito maior. O grupo de Mauro Mendes precisa agora administrar o desgaste das investigações, as limitações da Justiça, a reorganização da chapa de Pivetta e as especulações sobre o futuro eleitoral da família.
Enquanto isso, o governador Otaviano Pivetta terá que decidir os próximos passos da candidatura e escolher quem vai ocupar a vaga deixada por Garcia. O que parecia ser uma aliança consolidada para 2026 enfrenta agora sua maior prova. A pergunta que circula em Mato Grosso é se a Operação Heritage vai apenas mudar algumas peças ou se vai acabar com o grupo que governou o estado nos últimos anos. Por enquanto, a resposta está em aberto. Mas uma coisa é certa: a crise chegou ao centro do projeto eleitoral dos Mendes e já está mudando o cenário político de Mato Grosso.

Naedson Martins


