Ação policial desmonta grupo criminoso que usava equipamentos industriais para furtar dinheiro de caixas eletrônicos. A operação cumpriu 74 ordens judiciais em três estados e bloqueou cerca de R$ 240 mil obtidos com a lavagem de dinheiro.
Um grupo criminoso especializado em roubar caixas eletrônicos foi alvo da Operação Círculo Vicioso, deflagrada pela Polícia Civil nesta quinta-feira (5). Os suspeitos agiam em Mato Grosso e em outros estados, usando ferramentas pesadas para abrir os cofres dos bancos. A quadrilha tinha uma estrutura organizada para limpar as notas manchadas pela tinta de segurança e movimentar o dinheiro sem ser descoberta pelas autoridades.
A operação resultou em 74 ordens judiciais. Dentre elas, foram expedidos 10 mandados de prisão preventiva, 18 de busca e apreensão, 18 autorizações para acessar dados de celulares, 15 quebras de sigilo bancário e 13 ordens de bloqueio de valores, somando aproximadamente R$ 240 mil.
- A operação Círculo Vicioso ocorreu em Cuiabá, Rondonópolis, Joinville e São Luís.
- O crime-chave foi o furto de R$ 105 mil em um caixa eletrônico de um supermercado.
- Os bandidos usavam lança térmica para cortar o metal do equipamento.
- Eles removiam a tinta da moeda com produtos químicos específicos.
- A justiça bloqueou cerca de R$ 240 mil em contas dos investigados.
Como funcionava o golpe
A investigação teve início após a invasão de um caixa eletrônico localizado dentro de um supermercado no bairro Praia Grande, em Várzea Grande, na madrugada de 21 de janeiro de 2026. Para abrir o equipamento, os criminosos utilizaram uma lança térmica, uma ferramenta industrial que corta materiais resistentes. Mesmo quando o mecanismo de segurança liberou tinta sobre as notas para inutilizá-las, os suspeitos conseguiram levar R$ 105 mil.
A partir desse primeiro crime, a polícia identificou outros ataques com o mesmo método. No total, foram relacionados seis furtos cometidos entre novembro de 2025 e fevereiro de 2026 nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande.
Método de lavagem de dinheiro
Os criminosos seguiam um padrão claro de atuação. Eles faziam aberturas nas paredes, usavam lonas para esconder a luz forte da máquina de corte e aplicavam a lança térmica para acessar o cofre.
A organização era dividida em núcleos especializados. Um grupo realizava os arrombamentos, enquanto outro cuidava da limpeza das notas. Os suspeitos utilizavam produtos químicos para remover a tinta de segurança impregnada nas cédulas, devolvendo o dinheiro ao normal para poder usá-lo.
Após a limpeza, os valores eram depositados em pequenas quantias e distribuídos entre várias contas bancárias. Essa prática, conhecida como smurfing, serve para confundir os bancos e dificultar o rastreamento da origem ilegal do dinheiro.
Parte dos recursos também era enviada a terceiros, que recebiam depósitos em suas próprias contas. As imagens de câmeras de segurança de instituições financeiras e outros elementos levantados pela investigação ajudaram a identificar os envolvidos em todas as fases da atividade criminosa.
Ação em outros estados
A apuração revelou que o grupo não agia apenas em Mato Grosso. Integrantes que moravam principalmente em Santa Catarina viajavam até o estado para participar dos ataques. Os investigadores ainda encontraram indícios de que os suspeitos tinham ligações com atividades criminosas anteriores no Rio de Janeiro e em Alagoas.
As diligências ocorreram em Cuiabá e Rondonópolis, em Mato Grosso, além de Joinville, em Santa Catarina, e São Luís, no Maranhão. A operação contou com a participação das polícias civis dos três estados e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
Além das prisões e buscas, a Justiça autorizou o bloqueio de até R$ 239.980,52 em contas e ativos financeiros dos investigados. Esse montante corresponde aos prejuízos calculados em quatro dos furtos apurados até o momento. O valor poderá ser revisto conforme o avanço das análises financeiras e a identificação de novos prejuízos relacionados ao esquema.

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