Na noite de segunda-feira (2), a polícia prendeu em São Bernardo do Campo (SP) um estudante de Direito de 53 anos que se passava por juiz criminal. Ele tinha um mandado de prisão em aberto por estelionato e acumulava 78 processos e 34 inquéritos, dos quais 22 por golpes. Durante a abordagem, apresentou documento falso e tentou enganar os policiais, mas foi reconhecido e detido. A fraude veio à tona depois que o verdadeiro juiz apareceu e relatou uso indevido de seu nome.
O estudante de Direito Selmo dos Santos Pereira, de 53 anos, foi preso na noite de segunda-feira em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Ele dirigia acima do limite de velocidade e foi abordado pela Polícia Militar. Ao se apresentar, alegou ser juiz criminal, mas a polícia descobriu que havia um mandado de prisão em aberto contra ele por estelionato.
O caso aconteceu por volta das 21h30, no bairro Jardim do Mar. Policiais do 6º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano pararam o motorista porque ele trafegava acima do limite permitido na via.
- Selmo tem 53 anos e estudava Direito na Faculdade de São Bernardo do Campo
- Ele usou um documento falso com o nome de Jarbas Luiz dos Santos
- O verdadeiro juiz foi localizado e confirmou que sua identidade foi usada indevidamente
- Selmo já tinha 78 processos e 34 inquéritos, sendo 22 por estelionato
- Em 2010, declarou um patrimônio de R$ 91,6 milhões para tentar ser deputado
Na fiscalização, o homem entregou um documento de identificação que apresentava sinais de adulteração. Ele se identificou como Jarbas Luiz dos Santos e disse que era juiz da 3ª Vara Criminal de Santo André e professor na Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo.
Os policiais não acreditaram na história. Uma mulher que passava pelo local o reconheceu e disse que ele era apenas estudante de Direito, e não professor, naquela faculdade.
Ele foi levado para o 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. Lá, as impressões digitais mostraram que sua verdadeira identidade era Selmo dos Santos Pereira.
Investigação e antecedentes
Enquanto Selmo era identificado, outra equipe da polícia encontrou em São Caetano do Sul o verdadeiro juiz que tinha o nome usado no documento. O magistrado foi à delegacia, confirmou que era ele e disse que recentemente alguém tentou comprar um imóvel usando seu nome. A polícia vai investigar se os casos estão relacionados.
A polícia descobriu que havia uma ordem de prisão contra ele por condenação por estelionato e crime eleitoral, com pena ainda a cumprir em regime fechado. Dados do g1 também mostram que Selmo acumula 78 processos e 34 inquéritos, dos quais 22 são por estelionato.
O caso foi registrado como uso de documento falso e recaptura de procurado. Selmo continua preso, à disposição da Justiça.
Histórico
Em 2010, quando já estava preso por estelionato, Selmo tentou concorrer a deputado federal por São Paulo pelo partido DEM. Na época, ele declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 91,65 milhões, um dos maiores entre os candidatos daquele ano.
Segundo uma reportagem do jornal O Globo, o principal bem informado por ele era uma instituição de ensino chamada Unilma, avaliada em R$ 80 milhões. Selmo se dizia 'reitor fundador' da escola, mas ela não tinha registro no Ministério da Educação. A candidatura foi contestada pelo Ministério Público Eleitoral e acabou barrada.

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