Uma mulher de 25 anos, que teve parto em casa, foi identificada pela Polícia Civil como responsável por abandonar o recém-nascido prematuro na lixeira de um condomínio em Várzea Grande. A jovem prestou depoimento e pode ser indiciada por homicídio. A criança nasceu com vida, mas faleceu pouco tempo depois.
Mãe de bebê encontrado no lixo foi identificada pela Polícia Civil. Foto: Reproduç?o/Serginho Lapada
A Polícia Civil identificou, nesta quinta-feira (27), uma mulher de 25 anos como a mãe que abandonou a recém-nascida prematura na lixeira de um condomínio em Várzea Grande, no dia 23 de julho deste ano. A suspeita foi ouvida na Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e deve responder pelo crime de homicídio.
Segundo a Polícia Civil, um funcionário responsável pela limpeza recolhia resíduos destinados ao depósito de lixo do condomínio e os levava ao setor de reciclagem. Durante a separação de conteúdos de um dos recipientes, o trabalhador encontrou uma caixa de papelão. Ao abri-la, percebeu um volume envolto em uma sacola plástica, dentro da qual havia o bebê.
Resumo da investigação A Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) foi acionada, e o laudo apontou que o corpo é de uma criança do sexo feminino, com aproximadamente 26 semanas de gestação (cerca de seis meses) e peso de 750 gramas. Não havia sinais de violência física, porém o exame indicou respiração após o nascimento, sugerindo que a criança nasceu com vida, mesmo que tenha sobrevivido por pouco tempo.
Até o momento, não foi possível identificar a causa da morte. Uma das hipóteses é que o parto prematuro tenha contribuído para o óbito. Durante as investigações, a equipe da DHPP identificou a mãe da recém-nascida, reconhecida também como a responsável pelo descarte do corpo nas imagens do sistema de videomonitoramento do condomínio.
Ela confirmou ser a mãe do bebê e relatou que apenas suspeitava da gravidez, pois continuava apresentando sangramentos, o que a levou a não realizar o acompanhamento pré-natal e a não comunicar a gestação ao marido ou aos familiares.
Do parto à lixeira
Segundo a versão dela, na noite de 22 de julho, enquanto o marido dormia, ela entrou em trabalho de parto no banheiro e deu à luz sozinha. Ela afirmou que o bebê nasceu sem sinais de vida e que, após cortar o cordão umbilical, acondicionou o corpo em uma caixa, juntamente com a placenta e outros resíduos do parto, descartando o material na lixeira do condomínio durante a madrugada.
A mulher confirmou ser a pessoa registrada pelas câmeras de segurança, justificando a conduta pelo estado de desespero e confusão emocional em que se encontrava, negando uso de substâncias abortivas ou auxílio de terceiros.
O marido também foi ouvido e confirmou, em linhas gerais, a versão apresentada pela companheira, afirmando ter tomado conhecimento do ocorrido dias depois, por conta da repercussão do caso.
As investigações seguem para esclarecer as circunstâncias que antecederam o parto e a morte da recém-nascida. Ainda não se descarta a hipótese de parto provocado por ingestão de substância abortiva ou por outra intervenção, dependendo do resultado de exames e laudos periciais pendentes.
Investigação e indiciamento
Concluídas as diligências, o inquérito deverá ser encerrado nos próximos dias com o indiciamento da investigada, inicialmente, pelo crime de homicídio, uma vez que a condição de genitora impunha o dever de cuidado, guarda e proteção da filha, não sendo juridicamente aceitável abandonar e descartar uma criança que nasceu com vida.
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Resumo rápido
- Condomínio de Várzea Grande foi palco do descarte do corpo
- Mulher de 25 anos foi identificada como mãe
- A criança nasceu com vida, segundo perícia
- A investigação ainda aponta para a possibilidade de parto induzido
- Investigação visa concluir o inquérito e possível indiciamento
Contato
Para dúvidas, procure a DHPP de Várzea Grande ou a Polícia Civil local.




