A Polícia Federal deflagrou a Operação Arena para investigar um grupo suspeito de usar empresas no exterior para lavar dinheiro de apostas e jogos de azar. O advogado Nelson Wilians, famoso por exibir luxo nas redes, está entre os alvos. A operação cumpre mandados em cinco estados e bloqueia bens de até R$ 1,1 bilhão.
A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta quinta-feira (13/8), a Operação Arena para investigar um grupo empresarial suspeito de usar estruturas no exterior para esconder a origem e o destino de dinheiro obtido com jogos de azar e apostas esportivas.
- Operação Arena mira esquema de R$ 1 bilhão.
- Advogado Nelson Wilians é um dos alvos.
- Pixbet também está na mira das investigações.
- Mandados são cumpridos em cinco estados.
- Bens de até R$ 1,1 bilhão podem ser confiscados.
O advogado Nelson Wilians (foto de destaque) está entre os alvos da operação. Ele é dono de um grande escritório de advocacia e conhecido por mostrar rotina de luxo nas redes sociais, exibindo mansão, avião, carros caros e viagens. Além do advogado, a PF mira a empresa paraibana Pixbet.
A operação também envolve medidas de quebra dos sigilos telemático e bancário dos investigados e o sequestro de bens e valores de até R$ 1,1 bilhão.
Ao todo, são cumpridos, em parceria com o Ministério Público Federal (MPF), a Receita Federal e a Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal da Paraíba.
As medidas são cumpridas nos seguintes estados: Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná.
Segundo a PF, os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, pelos crimes de evasão de divisas, lavagem de dinheiro e outros delitos contra o sistema financeiro nacional.
Em nota, Santiago Schunck, advogado de Wilians, afirmou que a relação entre o escritório e a PixBet é estritamente profissional e decorre da prestação de serviços de advocacia.
O escritório repudia qualquer tentativa de associar a atuação profissional de seus advogados às atividades ou condutas atribuídas a seus clientes, disse.
A defesa afirmou, ainda, que é preciso ter cautela para que o legítimo exercício da advocacia não seja indevidamente criminalizado em razão da natureza ou das atividades daqueles que o advogado representa.
Investigação
Segundo a Receita Federal, empresas constituídas no exterior teriam sido utilizadas para justificar elevadas remessas internacionais de recursos, embora os elementos reunidos indiquem, em tese, a inexistência de atividades econômicas compatíveis com os valores movimentados.
De acordo com os indícios apurados, o grupo teria empregado mecanismos sofisticados envolvendo empresas nacionais e estrangeiras, instituições de pagamento, operações de câmbio, ativos digitais e outras estruturas financeiras, com o propósito de dificultar a identificação da origem e da destinação dos recursos.
A investigação também identificou possíveis indícios de omissão de rendimentos e de utilização de estruturas empresariais destinadas a reduzir ou evitar, de forma irregular, a tributação incidente sobre as atividades desenvolvidas.
A Receita ressaltou que embora a exploração de apostas de quota fixa tenha passado por recente processo de regulamentação no Brasil, os elementos reunidos indicam que atividades relacionadas ao setor já vinham sendo exercidas anteriormente, com indícios de utilização de mecanismos destinados a ocultar operações, receitas e beneficiários finais.
Quem é Nelson Wilians
Nelson Wilians é dono de grande escritório de advocacia e conhecido por mostrar rotina de luxo nas redes sociais, exibindo mansão, avião, carros caros e viagens.
Em julho deste ano, ele foi alvo de mandados de busca e apreensão em operação do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos (Cira/SP). Nelson também é investigado por envolvimento na Fraude do INSS, revelada pelo Metrópoles. Em setembro do ano passado, a casa e o escritório do advogado também foram alvo de mandados de busca e apreensão cumpridos pela PF no âmbito da Operação Cambota, segunda fase da Operação Sem Desconto, sobre o esquema de descontos indevidos em aposentadorias.

Polícia Federal em ação


