A Polícia Militar de São Paulo começou a treinar policiais para atuar no Espaço Lilás, um local dentro dos batalhões onde as mulheres que sofreram violência podem receber apoio e orientação. O objetivo é que os policiais acompanhem as vítimas depois que elas registram a ocorrência, fazendo visitas e mantendo contato por aplicativo de mensagens para garantir que elas saibam seus direitos e consigam se proteger.
A Polícia Militar de São Paulo iniciou nesta quarta-feira (20) o treinamento de policiais que vão trabalhar no Espaço Lilás, um lugar montado dentro dos batalhões para acolher e orientar mulheres que sofrem violência em casa.
O curso acontece no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) de São Paulo e reúne 55 policiais que atuam nas regiões da capital com mais casos de violência contra a mulher. O treinamento prepara os agentes para ajudar as vítimas depois que elas registram a ocorrência, garantindo que elas continuem recebendo apoio e cuidado.
- O Espaço Lilás é um local dentro dos batalhões da PM onde mulheres vítimas de violência recebem acolhimento e orientação.
- Os policiais treinados vão fazer visitas às vítimas e manter contato por aplicativo de mensagens para dar apoio.
- O programa já funciona em dois batalhões da zona sul de São Paulo e deve ser ampliado para 40 unidades em todo o estado.
- As vítimas podem ser orientadas sobre direitos como guarda dos filhos e pensão alimentícia.
- O Espaço Lilás não atende emergências, mas sim faz o acompanhamento depois que a ocorrência já foi registrada.
Treinamento ensina sobre rede de apoio e ferramentas de proteção
Durante o curso, os policiais aprendem como funciona a rede de apoio, como usar o aplicativo SP Mulher Segura e quais ferramentas existem em diferentes órgãos públicos para ajudar cada caso, como questões de guarda de filhos e direito à pensão alimentícia.
A cabo Renata Alves, uma das responsáveis pelo treinamento, explica que o diferencial do Espaço Lilás é a aproximação direta com as vítimas dentro dos próprios batalhões da PM. "Esses espaços estarão dentro das unidades, garantindo acesso mais próximo à comunidade. São policiais preparados para acolher e orientar essas mulheres, ajudando elas a sair do ciclo da violência", afirma.
Além disso, os policiais que se formam podem ensinar outros colegas nas unidades onde trabalham, aumentando o alcance do acolhimento. O projeto já está funcionando no 12º e no 27º Batalhão Metropolitano, que atendem a região sul e extremo sul da capital.
Atendimento
O atendimento será feito com busca ativa em registros de ocorrências de violência doméstica, incluindo chamados do 190 e dados de aplicativos oficiais da polícia. O acompanhamento também pode envolver casos com medidas protetivas, em conjunto com outras unidades.
Uma das ações do programa é a visita solidária, que pode ser feita presencialmente ou por videochamada. As visitas acontecem em até 10 dias após a ocorrência atendida pela PM, com foco em acolher, orientar e incentivar a vítima a tomar medidas legais contra o agressor.
O trabalho também inclui contato constante com as vítimas por aplicativos de mensagens, para que elas possam chamar as equipes sempre que precisarem tirar dúvidas, pedir apoio ou desabafar.
Proximidade com a família
Com quase 30 anos de carreira, a 2º sargento Valdeci Soares, que trabalha desde 2006 na área de violência contra a mulher, destaca a importância do vínculo de confiança no atendimento.
"Procuro passar segurança para que elas se sintam à vontade. Muitas vezes, por eu ser mulher, isso facilita a confiança. A gente orienta como se fosse da família. As vítimas chegam muito fragilizadas e, muitas vezes, não sabem como sair da situação. Quando a gente consegue ajudar, o sentimento é de dever cumprido", disse.
O Espaço Lilás está sendo implantado em 40 salas de operações da Polícia Militar em todo o estado. A iniciativa é complementar à Cabine Lilás, serviço da PM que atende chamadas do 190. Enquanto a Cabine atua em ocorrências em andamento e situações de emergência, o Espaço Lilás não faz atendimentos de urgência nem monitora agressores, sendo focado exclusivamente no acompanhamento e pós-atendimento das vítimas.
SP Por Todas
SP Por Todas é um movimento do Governo do Estado de São Paulo para dar mais visibilidade às políticas públicas para mulheres e fortalecer a rede de proteção, acolhimento e autonomia profissional e financeira. Entre as soluções estão o aplicativo SP Mulher Segura, que conecta a mulher diretamente à polícia em casos de risco, além da ampliação de serviços especializados em todo o estado.

Programa busca fortalecer vínculo de confiança e ampliar acesso das vítimas a direitos e serviços de proteção Foto: Governo de São Paulo/Divulgação



