A empresa espanhola Grifols, que administra 17 clínicas de coleta de plasma no Canadá, suspendeu temporariamente as doações em todo o país. A decisão foi tomada meses depois da morte de dois doadores e após o órgão regulador federal apontar problemas de conformidade em uma das unidades. A segurança dos doadores e a qualidade do plasma são o foco da medida, que deve durar até que a empresa se ajuste às novas regras das autoridades canadenses.
A Grifols, empresa espanhola que administra 17 clínicas privadas de coleta de plasma sanguíneo no Canadá, suspendeu temporariamente as doações em todas as unidades do país nesta sexta-feira. A decisão ocorre meses após a morte de dois doadores em Winnipeg, na província de Manitoba, e um dia depois de a Health Canada, órgão regulador federal, emitir uma notificação de não conformidade contra uma das clínicas da companhia.
A empresa informou que comunicou a decisão à Health Canada nesta quarta-feira, mesmo dia em que recebeu a notificação referente à unidade da Taylor Avenue, em Winnipeg. Segundo o órgão, a clínica apresentava problemas relacionados ao cumprimento de normas para estabelecimentos de coleta de sangue.
- O que houve A Grifols suspendeu a coleta de plasma em todas as suas 17 unidades no Canadá após a morte de dois doadores.
- Onde As mortes aconteceram em Winnipeg, na província de Manitoba.
- Por que A Health Canada encontrou problemas de conformidade na clínica da empresa.
- Quando A suspensão foi anunciada nesta sexta-feira, depois que o órgão regulador notificou a empresa.
- O que diz a empresa A Grifols afirma que a segurança dos doadores nunca foi comprometida.
A Grifols afirmou que decidiu interromper as atividades de forma "proativa e voluntária" diante do que classificou como "atenção infundada" sobre a coleta remunerada de plasma. A empresa disse que pretende retomar as operações após estabelecer, com a Health Canada e a Canadian Blood Services, uma estrutura para garantir uma rede de coleta "sustentável e robusta".
A segurança dos doadores e a qualidade do plasma que coletamos nunca foram comprometidas afirmou a empresa em comunicado.
A Health Canada informou ter identificado "várias preocupações de conformidade" e afirmou que a segurança dos canadenses deve ser prioridade. O órgão disse que a suspensão temporária não afetará a segurança ou a disponibilidade do sangue e do plasma no país.
Mortes de doadores
As mortes ocorreram em outubro de 2025 e janeiro de 2026. Em um dos casos, a vítima foi identificada como Rodiyat Alabede, de 22 anos, uma estudante internacional que se preparava para trabalhar como assistente social. Segundo familiares e amigos, ela ficou inconsciente durante uma doação de plasma em Winnipeg, em 25 de outubro, e morreu pouco depois.
Um exame de autópsia apontou parada cardíaca como causa da morte. A Health Canada afirmou que não encontrou "nenhuma ligação" entre a morte de Alabede e o processo de doação de plasma. A Grifols também negou que houvesse relação entre o procedimento e a morte.
Representantes da família, no entanto, questionam a conclusão e pedem uma nova investigação. Defensores dos pacientes dizem ter identificado discrepâncias entre o relatório da autópsia e um resumo médico divulgado posteriormente pela Health Canada.
Irregularidades encontradas
Relatórios de inspeção do órgão regulador também apontaram deficiências em clínicas da Grifols. Entre os problemas estão: treinamento inadequado de funcionários, falhas no cumprimento de procedimentos, registros incompletos e falta de medidas corretivas para problemas já identificados.
Na unidade da Taylor Drive, uma inspeção realizada em junho encontrou problemas na triagem de doadores, na limpeza e manutenção de equipamentos e na investigação de erros e acidentes. O relatório também mostrou que os procedimentos não eram seguidos e que as informações sobre treinamento e avaliação dos funcionários eram insuficientes.
De acordo com dados da Health Canada, 25 reações adversas graves foram registradas desde 2018 nos centros atualmente operados pela Grifols. A empresa entrou no mercado canadense de coleta de plasma com fins lucrativos em 2022, após um acordo com a Canadian Blood Services, organização sem fins lucrativos responsável pelo sistema nacional de sangue.
Como funciona a doação de plasma
A companhia permite que os doadores recebam até 100 dólares canadenses por doação e oferece um rendimento de até 6 mil dólares por ano. Antes da suspensão, as doações podiam ser feitas até duas vezes por semana.
O plasma é a parte líquida e rica em proteínas do sangue. No procedimento de aférese, o sangue é retirado do corpo, separado e os componentes que não serão coletados são devolvidos ao doador. O processo dura cerca de 90 minutos e permite que uma pessoa doe plasma com mais frequência do que doa sangue total.
Equipe médica realiza procedimento com cautela e precisão
O plasma é usado para fazer medicamentos para doenças como hemofilia, problemas no fígado, alguns tipos de câncer e outras condições raras e crônicas.
A doação remunerada de plasma é permitida em algumas províncias canadenses, mas proibida em outras, como Quebec e Colúmbia Britânica. Manitoba, onde aconteceram as duas mortes, permite que empresas paguem os doadores.
A Grifols, que tem cerca de 400 centros de coleta no mundo, disse que a suspensão vai permitir conversas com o governo canadense e com a Canadian Blood Services para reduzir a dependência do país de produtos importados.
A Health Canada informou que já havia colocado condições extras na licença da Grifols, como reduzir o número de agendamentos, reavaliar a quantidade de funcionários treinados, revisar os prontuários dos doadores e aumentar a supervisão dos funcionários mais novos. O órgão também fez uma inspeção sem aviso prévio.
A empresa disse que só vai voltar a coletar depois de chegar a um acordo com as autoridades canadenses sobre as condições para retomar os serviços.

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