Desde que o grupo Talibã retomou o poder no Afeganistão em agosto de 2021, os conflitos armados diminuíram, mas os direitos das mulheres foram severamente restringidos. O governo só é reconhecido pela Rússia, mas outros países mantêm contatos pragmáticos com Cabul. A ONU alerta que as restrições e a crise humanitária comprometem o futuro do país.
Desde que o grupo Talibã voltou ao poder em agosto de 2021, os conflitos armados diminuíram e a segurança melhorou, mas os direitos das mulheres foram desmantelados. O governo só é reconhecido pela Rússia, mas outros países mantêm relações pragmáticas com Cabul.
Contexto atual
Nos cinco anos desde o retorno do Talibã ao poder, que se completam neste sábado (15/08), o Afeganistão assistiu à redução da violência e a uma certa estabilidade. No entanto, as restrições impostas às mulheres e meninas, além das preocupações com terrorismo, comprometem as perspectivas de longo prazo, segundo a ONU.
- Mais da metade das mulheres afegãs (52%) sai de casa apenas uma ou duas vezes por mês.
- O Afeganistão é o único país que proíbe meninas de frequentar o ensino médio e mulheres de irem à universidade.
- 96% dos homens deixam suas residências diariamente.
- O Talibã emitiu mais de 100 decretos contra mulheres desde que voltou ao poder.
- Apenas 7% das mulheres estão empregadas, contra 84% dos homens.
Restrições aos direitos das mulheres
Desde que assumiu, o Talibã impediu cerca de 2,4 milhões de afegãs de frequentar o ensino médio, conforme a Unesco. As autoridades emitiram mais de 100 decretos contra mulheres e meninas, institucionalizando a discriminação e aprofundando o que a ONU Mulheres classifica como a mais grave crise de direitos das mulheres no mundo.
Medidas recentes aboliram a igualdade jurídica entre homens e mulheres, reforçaram a autoridade masculina no casamento e dificultaram o acesso ao divórcio. O Talibã afirma que respeita os direitos das mulheres de acordo com sua interpretação da lei islâmica e da cultura afegã.
Crise humanitária
O Afeganistão enfrenta uma grave crise humanitária. O Programa Mundial de Alimentos (PMA) calculou que 47% das crianças sofrem de desnutrição no primeiro trimestre deste ano. A situação é agravada pela falta de financiamento internacional, colheitas insuficientes devido à seca e o retorno de quase 5,9 milhões de pessoas ao país desde setembro de 2023.
Ao mesmo tempo, o Talibã conseguiu evitar o colapso econômico. A economia cresceu 4,8% em 2025, segundo o Banco Mundial, mas não foi suficiente para absorver o aumento populacional, resultando em queda do PIB per capita. Mais de 80% das famílias estão endividadas.
Relações internacionais
Apesar do isolamento, o Talibã construiu relações de trabalho com diversos países, incluindo membros da União Europeia e Reino Unido, principalmente para conter ameaças jihadistas. A Rússia é o único país que reconhece oficialmente o governo talibã.
Autoridades do Tajiquistão, Turcomenistão, Quirguistão, Uzbequistão e Cazaquistão se reuniram em Cabul para buscar rotas comerciais. A China mantém contatos diplomáticos e econômicos regulares, e a Índia restabeleceu sua embaixada em 2025.
O primeiro 'Emirado talibã' durou cinco anos (1996-2001) e terminou com a invasão americana. O segundo, iniciado em 2021, está prestes a superar essa marca.

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