O governo dos Estados Unidos colocou o Brasil em uma lista com mais de 40 países que ajudariam a China a escapar das tarifas de importação. A China estaria enviando produtos para esses países para embalagem e montagem, maquiando a origem das mercadorias.
O governo dos Estados Unidos acusa o Brasil de ajudar a China a escapar das tarifas de importação. Os EUA incluiram o Brasil em uma lista com mais de 40 países que seriam usados como intermediários para exportar produtos chineses sem pagar as taxas.
Segundo um relatório divulgado na quinta-feira (13/08) pela Casa Branca, a China estaria enviando seus produtos para outros países para embalagem e montagem, em uma prática chamada de transbordo comercial. Isso serve para esconder a origem chinesa das mercadorias e evitar as tarifas.
- Os EUA classificam o Brasil no 'nível 2' de integração econômica com a China, junto com Indonésia, Malásia, Tailândia, Turquia e Vietnã.
- O Brasil é visto como uma plataforma regional de produção e logística que ajudaria a simular a transformação de produtos.
- Além do Brasil, também estão na lista o Canadá, a União Europeia, a Índia, o México e outros.
- O governo americano estima que entre 34 e 303 bilhões de dólares em mercadorias sejam redirecionados por ano.
- Os EUA estão usando inteligência artificial para combater o transbordo e aplicar tarifas retroativas.
O assessor comercial da Casa Branca, Peter Navarro, disse que o transbordo permitiu que a China comunista 'lavasse suas exportações'. Ele também afirmou que os novos acordos comerciais incluirão punições para países que praticarem o transbordo.
Como funciona o transbordo
A China envia produtos para outros países, como o Brasil, onde eles são reembalados ou montados. Depois, são exportados para os EUA como se fossem desse país intermediário. Assim, evitam as tarifas que seriam aplicadas se viessem diretamente da China.
Especialistas dizem que essa prática já acontece desde 2018, quando começou a guerra tarifária entre EUA e China no primeiro governo Trump.
Impacto nos EUA
As tarifas foram criadas para proteger os fabricantes americanos, mas também aumentaram a inflação. Apesar disso, o déficit comercial dos EUA ainda é grande, embora tenha diminuído: de 560 bilhões no ano passado para 371 bilhões neste ano.
Navarro afirmou que, quando se comprova a falsificação de origem, as tarifas podem ser aplicadas retroativamente por até um ano.

O Povo


