Morre mulher que sobreviveu mais tempo sob escombros na Colômbia

Mundo Colômbia 15/08/2026 16:01 David Salazar, com Andrés Martínez em Cali - AFP via O Povo opovo.com.br

Daniela Largo, de 32 anos, morreu após ser resgatada com vida depois de ficar 37 horas sob os escombros do terremoto de magnitude 7,4 que atingiu a Colômbia. O tremor, o mais forte do século no país, já deixou 294 mortos e quase 4.000 feridos. Equipes de resgate seguem trabalhando, mas as esperanças de encontrar sobreviventes são cada vez menores.

Familiares da mulher que ficou por mais tempo presa sob os escombros do terremoto na Colômbia confirmaram neste sábado (15) sua morte após o resgate. As equipes continuam trabalhando na remoção dos escombros no país, mas já há poucas esperanças de encontrar sobreviventes.

  • O terremoto de magnitude 7,4 foi o mais forte do século na Colômbia.
  • Já são pelo menos 294 mortos e quase 4.000 feridos desde segunda-feira.
  • Cali e Pereira estão entre as cidades mais atingidas pelo tremor.
  • As autoridades ainda procuram por pelo menos 320 desaparecidos.
  • Mais de 14.000 casas foram destruídas até o momento.

O terremoto de magnitude 7,4, o mais forte do século na Colômbia, deixou desde segunda-feira pelo menos 294 mortos e quase 4.000 feridos. Cali e Pereira estão entre as cidades mais atingidas pelo tremor.

Resgate que virou símbolo de esperança

Daniela Largo, de 32 anos, foi resgatada na terça-feira em Pereira. Sua retirada dos escombros em uma maca, em meio a gritos de alegria e aplausos, comoveu o país e se tornou um símbolo de esperança. Porém, a mulher morreu na noite de sexta-feira em um hospital, segundo informaram seus familiares à AFP.

Só quero que tudo isso acabe logo, disse Sandra Milena Pérez, mãe de Daniela, em uma ligação com a AFP. Daniela deixa um filho de 12 anos.

Trabalho de resgate e solidariedade

Nas áreas mais devastadas, os socorristas removem pedaços de telhados e paredes com máquinas pesadas, seis dias após o terremoto. Alguns oferecem abraços para aliviar a dor provocada pela tragédia, enquanto outros organizam arrecadações para os desabrigados que estão em abrigos.

Após a tragédia, foram criados pontos de atendimento psicológico virtual e presencial em diferentes regiões do país. O cansaço provocado pelas longas jornadas e a angústia se acumulam entre socorristas e voluntários.

Funerais e noites em barracas

Entre as máquinas pesadas e os trabalhos de resgate, o cheiro de decomposição aumenta com o passar dos dias. Familiares e pessoas próximas das vítimas que conseguiram recuperar os corpos realizaram funerais marcados pela comoção.

Em Cali, a cidade com mais mortos pelo terremoto, centenas de sobreviventes que perderam suas casas ou temem que seus edifícios desabem devido às réplicas passam as noites em pequenas barracas montadas em parques. Moradores preparam sancocho, uma sopa típica colombiana feita com tubérculos e carnes, para os afetados.

Faço isso porque vem do coração. Vou ajudar meus vizinhos o máximo que puder, contou à AFP María Josefa Aragón, cozinheira voluntária de 42 anos.

Esperança no limite

Após a tragédia, algumas pessoas percorreram milhares de quilômetros para reencontrar seus familiares. Uma venezuelana viajou da Espanha até Cali em busca da filha de 24 anos, desaparecida junto com o marido. A mãe acredita que a filha esteja morta. Três anos sem vê-la para agora vê-la assim, disse à AFP, sem esperança. A mulher pediu para não ser identificada.

Ação do governo e ajuda humanitária

O presidente da Colômbia fez na sexta-feira visitas rápidas a alguns dos locais mais afetados pelo terremoto. Ele decretou emergência econômica nacional e anunciou ajuda aos afetados. Também foram criados programas e aplicativos para localizar animais de estimação desaparecidos.

Em Bogotá, que não sofreu danos significativos com o terremoto, voluntários formam correntes humanas para organizar milhares de toneladas de ajuda humanitária doada às regiões mais afetadas.

Vocês não estão sozinhos. Para mim, é como se fossem da família, disse Laura Mendoza, consultora e voluntária de 47 anos.