De acordo com a ONU, número de vítimas civis na guerra atinge nível mensal mais elevado desde as primeiras semanas da invasão russa ao país. Drones e mísseis são as principais causas.
De acordo com a ONU, número de vítimas civis na guerra atinge nível mensal mais elevado desde as primeiras semanas da invasão russa ao país. Drones e mísseis são as principais causas.
A Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia relatou nesta quinta-feira (13/08) que as mortes de civis na guerra no território ucraniano atingiram o nível mensal mais alto desde as primeiras semanas do conflito, em fevereiro de 2022. Os observadores da ONU disseram ter verificado pelo menos 437 civis mortos e 2.610 feridos em julho; um aumento de 30% em relação ao mês anterior e de 70% em comparação com julho de 2025. Segundo a entidade, este é o maior número de mortes registrado desde maio de 2022. Desde que a Rússia invadiu o território ucraniano, em 24 de fevereiro de 2022, a ONU confirmou pelo menos 16.874 mortes de civis, entre os quais, 820 crianças. O número total de feridos foi de 51.273, incluindo mais de 3 mil crianças, informou a missão de monitoramento. Segundo a ONU, o número real de vítimas provavelmente é maior, enquanto alguns relatos ainda estão sendo verificados. Também não é possível confirmar as baixas em partes da Ucrânia ocupadas por tropas russas, como Mariupol, a cidade portuária sitiada pela Rússia no início da guerra, onde se acredita que milhares de pessoas tenham morrido.
Drones e mísseis são os mais letais
Em julho, mísseis de longo alcance e drones continuaram sendo a maior causa de vítimas civis, representando 38% do total. Drones de curto alcance que operam perto da linha de frente foram responsáveis por outros 27% das mortes. "Os civis estão enfrentando riscos intensificados devido ao aumento do uso de mísseis e drones em centros urbanos, bombas planadoras em cidades mais próximas da linha de frente e drones de curto alcance", disse a chefe da missão da ONU, Danielle Bell. A Rússia lançou pelo menos 429 mísseis durante o mês, mais do que o dobro do número disparado em junho. O ataque mais letal ocorreu em 2 de julho, quando as forças russas lançaram 74 mísseis e quase 500 drones de longo alcance, principalmente contra Kiev. A investida matou ao menos 30 civis e deixou 104 feridos. O conflito se tornou o mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial, e os esforços liderados pelos Estados Unidos para interromper os combates não obtiveram sucesso.
- Em julho, 38% das vítimas civis foram causadas por mísseis de longo alcance e drones.
- Drones de curto alcance perto da linha de frente foram responsáveis por 27% das mortes.
- A Rússia lançou pelo menos 429 mísseis em julho, mais que o dobro de junho.
- O ataque mais letal em 2 de julho contra Kiev matou 30 civis e feriu 104.
- O conflito é o mais letal na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Zelenski pede mais sistemas de defesa
A Ucrânia vem alertando há meses que não consegue se proteger adequadamente da intensificação dos ataques russos com mísseis balísticos, uma vez que suas forças não possuem mísseis suficientes para o sistema de defesa aérea Patriot. O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, renovou os pedidos aos aliados ocidentais para que forneçam sistemas de defesa aérea mais avançados, particularmente os Patriots americanos, para repelir os ataques de mísseis balísticos super-rápidos, cuja trajetória e velocidade os tornam difíceis de interceptar. Os observadores da ONU relataram ainda que o número de civis mortos em julho também aumentou no lado russo. As autoridades russas relataram 79 mortos e mais de 600 feridos. No entanto, esses números são difíceis de verificar, porque o acesso à informação na Rússia é restrito.



