Luigi Mangione se declarou culpado nesta sexta-feira (14) por duas acusações federais relacionadas à morte de Brian Thompson, ex-CEO da UnitedHealthcare, assassinado em dezembro de 2024, em Nova York. Durante a audiência em um tribunal federal de Manhattan, Mangione admitiu ter atirado contra o executivo e detalhou parte de suas ações. A sentença está prevista para dezembro.
Luigi Mangione se declarou culpado nesta sexta-feira (14) por duas acusações federais relacionadas à morte de Brian Thompson, então CEO da UnitedHealthcare, assassinado em dezembro de 2024, em Nova York. Durante a audiência, realizada em um tribunal federal de Manhattan, Mangione também admitiu ter atirado contra o executivo e detalhou parte das ações que antecederam o crime.
- Mangione confessou ter usado uma arma fabricada em impressora 3D para matar o executivo.
- Ele sofre com fortes dores nas costas e afirmou que teve dificuldades com o sistema de saúde.
- O crime aconteceu em frente a um hotel em Manhattan, em dezembro de 2024.
- Mangione pode pegar prisão perpétua; sentença está marcada para 18 de dezembro.
- A defesa alega que os dois processos (federal e estadual) violam a Constituição.
Diante da juíza federal Margaret Garnett, o acusado confirmou que pretendia se declarar culpado. Segundo a CNN e o The New York Times, ele assumiu uma acusação de perseguição interestadual que resultou em morte e outra relacionada ao uso de instalações interestaduais para perseguição com resultado fatal.
Em uma declaração lida durante a audiência, Mangione afirmou que convivia havia anos com fortes dores nas costas, sem sucesso para obter ajuda com seguros de saúde. A partir disso, ele passou a pesquisar a conferência de investidores da UnitedHealthcare. Segundo o relato apresentado no tribunal, ele se passou por investidor e descobriu que o evento seria realizado em Nova York.
Mangione também descreveu como teria preparado a arma utilizada no crime. Ele afirmou ter produzido uma arma em uma impressora 3D e instalado um silenciador. "Eu atirei no senhor Thompson em Manhattan", declarou Mangione. Ele acrescentou que sabia que sua ação faria com que Thompson temesse pela própria vida ou sofresse lesões, e reconheceu: "Eu sabia que o que estava fazendo era ilegal".
Consequências jurídicas
Mangione poderá ser condenado à prisão perpétua. A sentença no processo federal está marcada para 18 de dezembro, conforme informado pela juíza durante a audiência. Ainda segundo o The New York Times, Garnett explicou que Mangione deverá cumprir pelo menos 85% da pena que eventualmente receber. A possibilidade de uma condenação posterior na Justiça estadual de Nova York também poderá influenciar o cenário jurídico.
O caso federal, porém, não é o único processo enfrentado pelo acusado. Mangione também responde a acusações na Justiça estadual relacionadas à morte de Thompson. Nesse processo, ele se declarou inocente. A declaração de culpa desta sexta-feira acontece poucas semanas antes do início previsto do julgamento estadual. A seleção do júri está marcada para 8 de setembro, mas a data pode ser afetada pela nova situação jurídica.
Defesa e estratégia
Os advogados de Mangione argumentam há meses que a existência simultânea dos processos federal e estadual viola a proteção constitucional contra o chamado "double jeopardy", princípio que impede que uma pessoa seja julgada duas vezes pela mesma infração em determinadas circunstâncias. Até agora, as tentativas da defesa não prosperaram. Para o advogado criminalista Seth J. Zuckerman, ouvido pela PEOPLE, porém, a declaração de culpa pode fortalecer o argumento. "É um argumento mais forte dizer que ele já foi condenado no sistema federal e, portanto, houve uma mudança nas circunstâncias e o processo estadual não pode prosseguir", afirmou.
Zuckerman avalia que a defesa pode apresentar uma nova contestação em breve. A Procuradoria de Manhattan, por sua vez, já sinalizou que pretende se opor ao pedido. Mesmo que a Justiça permita a continuidade do processo estadual, o especialista aponta outros possíveis obstáculos. Uma das possibilidades seria que os promotores utilizassem a declaração feita por Mangione no acordo de culpa como elemento no processo.
Repercussão e apoio
Brian Thompson foi morto a tiros do lado de fora de um hotel em Midtown Manhattan, em 4 de dezembro de 2024. Após uma operação de busca que ganhou ampla repercussão, Mangione foi preso dias depois em uma unidade do McDonald's em Altoona, na Pensilvânia. Desde então, o caso ultrapassou o ambiente judicial e ganhou enorme atenção nas redes sociais. Mangione chegou a receber apoio público de pessoas que criticam o sistema de seguros de saúde dos Estados Unidos, enquanto uma campanha online para ajudar a financiar sua defesa arrecadou mais de US$ 1,5 milhão.
A promotoria de Manhattan afirmou, em comunicado, que trabalha desde dezembro de 2024 para levar o caso a julgamento e buscar uma condenação pela morte de Thompson. "Estamos preparados para contestar as medidas apresentadas pela defesa", afirmou o órgão, acrescentando que continua comprometido em "buscar justiça para Brian Thompson e sua família".

Luigi Mangione em foto de arquivo (Foto: Getty Images)




