No primeiro semestre deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 51,75 kg de ouro ilegal, um aumento de 830,76% em relação ao mesmo período do ano passado. Os estados do Pará e Roraima concentram a maior parte das apreensões, mostrando uma nova rota do garimpo ilegal na região Norte do Brasil.
No primeiro semestre deste ano, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 51,75 kg de ouro ilegal, um aumento de 830,76% em comparação com o mesmo período do ano passado, quando foram apreendidos menos de 6 kg do metal. Os dados foram fornecidos pela PRF a pedido do G1.
- As apreensões de ouro ilegal aumentaram 830% em apenas um ano, mostrando que o crime está se adaptando.
- Os estados do Pará e Roraima são os principais focos da nova rota do garimpo ilegal na região Norte.
- Mudanças na lei em 2023 dificultaram a venda de ouro ilegal, forçando os criminosos a contrabandear o metal para outros países.
- O mercúrio, usado para extrair ouro, também está sendo apreendido em grandes quantidades, causando preocupação com o meio ambiente.
- A valorização do ouro nos últimos anos tem atraído mais pessoas para o garimpo ilegal, apesar dos riscos.
Dois estados concentram a maior parte das apreensões: Pará (26,52 kg) e Roraima (15,64 kg). A região Norte, principalmente perto da fronteira, se tornou o centro da nova rota do garimpo ilegal após mudanças na lei e o aumento do valor do ouro, segundo Larissa Rodrigues, diretora de pesquisa do Instituto Escolhas.
Fim da "boa-fé" muda a lavagem do ouro
Uma lei de 2013 garantia que quem comprasse ouro não precisava provar de onde ele vinha, o que facilitava a venda de ouro extraído de forma ilegal. Em 2023, isso mudou: a Receita Federal passou a exigir nota fiscal para vender ouro de garimpo, e o Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu essa "boa-fé" do comprador.
Em 2025, a produção oficial dos garimpos caiu 81% em relação a 2022. Para Rodrigues, parte da produção realmente diminuiu, mas outra parte continua acontecendo de forma ilegal e agora é enviada para fora do país pelo contrabando.
"Até 2022, o ouro ilegal era vendido como se fosse legal e saía do país pelos aeroportos. Essa porta foi fechada em 2023. Agora, o ouro ilegal sai do país pela Venezuela, passando por Roraima", explica Larissa Rodrigues.
De 2020 a 2023, foram apreendidos cerca de 253 kg de ouro em quatro anos, menos do que nos dois anos seguintes (2024 e 2025), que somaram 261,76 kg. As apreensões não só aumentaram, como também mudaram de lugar.
Neste ano, a PRF também registrou um recorde na apreensão de mercúrio em Roraima. Esse metal é usado para separar o ouro das pedras, mas é muito tóxico e prejudica o meio ambiente. Até junho, mais de uma tonelada foi apreendida no estado.
"Por causa da sua localização, Roraima virou um corredor para o contrabando das riquezas do garimpo ilegal. A PRF está de olho nessa movimentação do crime organizado", disse Marcelo Aguiar, superintendente da PRF em Roraima.
Valorização do ouro atrai garimpeiros
Nos últimos cinco anos, o ouro teve uma alta histórica de preço, chegando a mais de US$ 5.400 por onça troy. Depois, o metal perdeu cerca de 26% do valor, mas ainda continua muito valorizado.
"Sempre que o ouro sobe de preço, a procura pelo metal aumenta, tanto de forma legal quanto ilegal. Precisamos avançar no combate ao crime e criar um sistema para rastrear a origem do ouro", disse Rodrigues.

Ouro apreendido pela PRF


