Jovens brasileiros estão mais preocupados com as mudanças climáticas, mostra estudo

Mundo clima 24/05/2026 10:20 Estadão Conteúdo jovempan.com.br

Uma pesquisa feita pela UNICEF mostra que 75% dos jovens no Brasil têm medo dos efeitos do aquecimento global e acreditam que aprender habilidades sustentáveis pode ajudar a conseguir empregos no futuro. Esse número é maior do que a média mundial.

A preocupação com as mudanças climáticas é comum entre jovens no mundo inteiro e é ainda maior no Brasil, apontou um estudo recente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) realizado em conjunto com a consultoria Capgemini. De acordo com o levantamento, 75% dos jovens brasileiros estão preocupados com as formas pelas quais as mudanças climáticas podem afetar o futuro e 66% concordam que o desenvolvimento de habilidades sustentáveis (green skills) abrirá novas oportunidades de emprego.

Em ambos os casos, as médias brasileiras estão acima das globais. Entre todos os que responderam à pesquisa, 67% acreditam que há tempo para evitar os piores efeitos do aquecimento global e 61% disseram que desenvolver competências climáticas levará a uma maior chance de carreira profissional.

  • A pesquisa ouviu 5.100 jovens de 16 a 24 anos em 21 países, incluindo o Brasil.
  • 75% dos jovens brasileiros temem os efeitos das mudanças climáticas no futuro.
  • 66% acham que aprender habilidades sustentáveis vai abrir portas no mercado de trabalho.
  • A média global de preocupação com o clima entre os jovens é de 67%.
  • 76% dos jovens brasileiros acham que ainda dá tempo de evitar os piores problemas do aquecimento global.

A pesquisa “Futuro dos jovens no clima – preparando para um futuro sustentável” entrevistou 5,1 mil jovens com idades entre 16 e 24 anos em 21 países: Brasil, Índia, México, China, Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, França, Austrália, Japão, Polônia, África do Sul, Nigéria, Bangladesh, Egito, Etiópia, Quênia, Paquistão, Tailândia, Indonésia e Turquia. No total, 83% dos jovens ouvidos são de países considerados do Sul Global, que estão em desenvolvimento.

“As novas gerações estão desproporcionalmente expostas aos riscos da crise climática – pela sua fisiologia, mas também por questões sociais e de comportamento. Além, claro, de que os mais jovens, por definição, vão lidar com os impactos da mudança do clima por mais tempo”, diz Danilo Moura, especialista em Clima e Meio Ambiente do Unicef no Brasil.

“Adolescentes e jovens se aproximando do momento da transição para o mundo do trabalho têm de considerar que construirão as carreiras em um mundo em acelerada transformação, que pode tornar obsoletos conhecimentos que eram valiosos no passado e demandar novas competências e habilidades – e governos e o setor privado precisam levar isso em consideração também”, afirma Moura.

Aquecimento global

O estudo também relatou percepções sobre o combate ao aquecimento global. Para 72% do total de entrevistados e 76% dos jovens brasileiros, ainda há tempo para remediar os problemas causados pelas mudanças climáticas. No entanto, 73% dos entrevistados no Brasil acreditam que os líderes políticos não estão fazendo o suficiente para lidar com o tema, e 76% têm essa visão sobre os líderes empresariais.