Maracaju arrecada muito, mas paga mal os professores

Educação salários 02/07/2026 19:28 Naedson Martins - Pauta Diária pautadiaria.com.br

Uma pesquisa da Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) mostra que Maracaju, mesmo sendo uma das cidades que mais arrecadam dinheiro no estado, está longe de pagar bons salários para os professores. A cidade fica em 52º lugar no ranking de pagamento para professores com curso superior, com um salário bem menor do que o de outras cidades.

Uma pesquisa divulgada pela Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) está causando polêmica sobre como os professores são valorizados em Maracaju. A cidade está entre as dez que mais arrecadam dinheiro no estado, mas aparece apenas em 26º lugar no ranking de salários pagos aos profissionais da educação.

Segundo o relatório, o salário considerado para comparação em Maracaju é de R$ 5.327,20. Já o maior salário do estado é pago em Três Lagoas, onde os profissionais recebem R$ 7.775,06. A diferença entre as duas cidades é de R$ 2.447,86.

  • Maracaju arrecada muito dinheiro, mas paga mal os professores
  • A cidade fica em 52º lugar no salário de professores com curso superior
  • O salário médio em Maracaju é de R$ 5.327,20, bem menor que o de Três Lagoas
  • Professores reclamam da falta de reconhecimento e da desmotivação
  • A pesquisa reacende a discussão sobre o uso do dinheiro do Fundeb para pagar melhores salários

A pesquisa também mostra outro dado preocupante. No ranking específico dos professores com curso superior, Maracaju ocupa apenas a 52ª colocação, com salário de R$ 6.925,36. Novamente, Três Lagoas lidera a lista, pagando R$ 11.662,59, uma diferença de R$ 4.737,23.

Esses números chamam a atenção porque Maracaju tem uma das economias mais fortes do estado, impulsionada principalmente pelo agronegócio e pela alta arrecadação de impostos. Mas esse potencial financeiro não se reflete no salário dos professores, de acordo com os dados da FETEMS.

Professores da rede municipal que não quiseram se identificar, com medo de represálias, disseram que a situação está desmotivando a categoria.

"Investimos em faculdade, especializações e vários cursos de aperfeiçoamento esperando reconhecimento profissional, mas isso não acontece. A cidade tem dinheiro, o que falta é prioridade para valorizar a educação", contou um dos professores.

Outro professor disse que muitos profissionais se sentem desestimulados com a diferença salarial em comparação com cidades que têm situação financeira parecida ou até pior.

Para representantes da categoria, os dados reforçam a necessidade de ampliar o debate sobre como o dinheiro destinado à educação é usado e sobre as políticas de valorização dos professores, principalmente em cidades que têm alta capacidade de arrecadação.

O estudo também reacende a discussão sobre o uso dos recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) e o cumprimento das leis que garantem a valorização dos profissionais da educação.

Comparativo dos salários

Profissionais da Educação

  • 1º lugar: Três Lagoas R$ 7.775,06
  • 26º lugar: Maracaju R$ 5.327,20
  • Diferença: R$ 2.447,86

Professores com Curso Superior

  • 1º lugar: Três Lagoas R$ 11.662,59
  • 52º lugar: Maracaju R$ 6.925,36
  • Diferença: R$ 4.737,23

A divulgação da pesquisa da FETEMS deve servir de base para novas discussões entre sindicatos, professores, vereadores e gestores públicos sobre a valorização dos professores e o uso do dinheiro público para a educação em Mato Grosso do Sul.

A reportagem deixou espaço aberto para a Prefeitura de Maracaju e a Secretaria Municipal de Educação se manifestarem, caso queiram dar explicações sobre os critérios de pagamento dos professores da rede municipal e as políticas de valorização da categoria.