Defesa de Daniel Vorcaro argumenta que a crise no Supremo Tribunal Federal e a falta de clareza sobre quem conduz o caso tornam a prisão preventiva injusta, pedindo sua soltura ou troca por medidas menos rígidas.
Defesa de Vorcaro pede revogação de prisão preventiva
A defesa de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, pediu ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, que ele solte o cliente ou troque a prisão por medidas menos severas. Os advogados enviaram o pedido nesta sexta-feira (18) alegando que a crise interna na corte e a dúvida sobre quem vai comandar a Operação Compliance Zero tornam a situação jurídica do banqueiro instável. Eles argumentam que a prisão preventiva decretada em 4 de março de 2026 completou o segundo ciclo de 90 dias em 31 de agosto, o que exigia uma revisão periódica da medida.
O pedido de liberdade vem em meio a um cenário de tensão no STF, onde a definição de quem teria a relatoria do caso virou um objeto de disputa. Na sessão de 15 de setembro, os ministros não conseguiram decidir quem conduzirá o processo, suspendendo o julgamento por um pedido de 'vista' de um dos magistrados. Essa incerteza jurídica, segundo a defesa, impede que qualquer autoridade tenha segurança legal para revisar o preso, gerando uma injustiça prolongada.
- A crise no STF gerou uma discussão acalorada entre os ministros Gilmar Mendes e André Mendonça.
- Você sabe que o Banco Master foi fechado após investigações que revelaram irregularidades financeiras.
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A conturbada disputa pela relatoria do caso
Vorcaro se refere à sessão do STF que analisava a situação do ministro Alexandre de Moraes, envolvido no escândalo após a Polícia Federal revelar contatos do ministro com o banqueiro e um contrato do escritório da mulher do magistrado, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. A reunião expôs brigas e divergências profundas na corte, sendo encerrada com um pedido de vista do ministro Flávio Dino, após uma discussão a gritos entre Gilmar Mendes e André Mendonça, que é o relator do caso Master no tribunal.
André Mendonça, que também teve contato com Vorcaro, foi apontado por seus colegas como parcial. O grupo liderado por Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes entende que Mendonça está usando o escândalo do Master como plataforma eleitoral para auxiliar Flávio Bolsonaro (PL) e proteger o senador de um eventual processo. O magistrado chegou à corte por indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro, o que alimenta as suspeitas de afinidade política.
- Vorcaro é ex-dono do Banco Master, um dos maiores casos de fraude no Brasil.
- A prisão preventiva dele foi decretada em março de 2026.
- O presidente do STF, Edson Fachin, recebeu o pedido de soltura.
- O caso envolve suspeita de corrupção ativa e passiva.
- A defesa alega que a crise no STF impede a revisão da prisão.
Argumentos da defesa e o impasse no julgamento
Os advogados de Vorcaro afirmam na peça que a prisão não pode permanecer em um cenário de indefinição institucional. Eles argumentam que, se a própria Corte ainda delibera sobre a legitimidade da investigação e sobre quem tem competência para julgar, não é legítimo que o único fato estável do processo seja o cárcere do investigado. A defesa sustenta que a instabilidade jurídica atual compromete os direitos do cliente.
Devido a essa incerteza, a defesa de Vorcaro pediu ou a revogação total da prisão preventiva, ou a substituição da medida por outras restrições cautelares que permitam a liberdade. A indefinição, porém, deve se prolongar, pois, além do pedido de vista do ministro Flávio Dino, Fachin adiou o julgamento que ocorreria no dia 23, que tratava de uma alegação de abuso de autoridade feita pelo ministro Alexandre de Moraes contra Mendonça.
A defesa de Vorcaro ainda argumentou a Fachin que os motivos que levaram à sua prisão preventiva não mais se sustentam. De acordo com os advogados, a suposta participação do banqueiro em episódios de intimidação e a sua capacidade financeira e de influência não podiam persistir diante do desmantelamento do Banco Master, que já não possui mais a força para influenciar testemunhas ou destruir provas.
O caso continua sendo monitorado de perto por especialistas e pela população, que aguarda a decisão do Supremo sobre quem terá a responsabilidade final de conduzir a Operação Compliance Zero. A situação reflete uma crise de credibilidade institucional no Brasil, onde a independência do Judiciário é questionada por conflitos internos entre os próprios ministros.
A expectativa é de que o impasse se resolva apenas após o retorno da vista do ministro Flávio Dino, momento em que a corte poderá definir os rumos do processo. A defesa de Vorcaro mantém a posição de que a prisão não pode ser mantida enquanto a estrutura de comando do caso estiver confusa. A sociedade acompanha atenta, cobrando transparência e justiça em um dos maiores escândalos financeiros da história recente do país.

Divulgação- Banco Master


