O principal índice da bolsa brasileira teve alta tímida nesta terça-feira, 15 de setembro. O movimento reflete a ansiedade do mercado com julgamentos no Supremo, pesquisas que acendem a corrida eleitoral e a expectativa por mudanças na taxa de juros.
O Ibovespa, que serve de termômetro para a economia brasileira, subiu pouco nesta terça-feira (15). O índice da B3 ficou perto dos 186 mil pontos, mas não conseguiu sustentar esse nível por muito tempo.
O dia começou quase parado, com 185.501,62 pontos. Durante a manhã, o índice oscilou entre uma queda de 0,24% (mínima de 185.055,57 pontos) e uma alta de 0,52% (máxima de 186.465,12 pontos). Por volta das 11h15, o Ibovespa marcava uma leve alta de 0,24%, chegando a 185.939,52 pontos.
- O mercado está em 'modo espera' aguardando a decisão do STF sobre o ministro Alexandre de Moraes.
- Pesquisas apontam corrida acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro para a presidência.
- O mercado aposta em uma pequena queda na taxa de juros (Selic) para 13,75% ao ano.
- As ações da Petrobras subiram por causa de um novo contrato de importação de gás.
- Os preços do petróleo no exterior subiram, o que preocupa o foco na inflação global.
Pressão política no centro das decisões
Segundo Gabriel Mota, analista de renda variável da Manchester Investimentos, os investidores estão com o pé atrás. O foco do dia é a sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), que analisa conversas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
De acordo com o analista, o mercado esperava uma decisão por 5 votos a 3 para abrir uma investigação oficial sobre o caso. Essa decisão judicial pode mexer diretamente no cenário político do país.
A relação entre a política e a bolsa é clara: decisões jurídicas e pesquisas eleitorais influenciam o bolso do investidor.
Corrida eleitoral e o peso das pesquisas
Uma pesquisa da CNT/MDA, divulgada nesta terça-feira, mostra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 40,5% das intenções de voto no primeiro turno.
Esse número é menor do que os 42,4% registrados no levantamento anterior. No mesmo período, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cresceu, indo de 28,7% para 30,4%.
No cenário de um possível segundo turno, Lula aparece com 47,3% dos votos contra 40% de Flávio Bolsonaro.
Outra pesquisa, feita pela Indexa/Broadcast, mostra dados mais apertados: Lula tem 43% de aprovação contra 42% de Flávio Bolsonaro em uma disputa direta.
Expectativa por corte de juros no Brasil
No mercado internacional, as bolsas de valores tiveram quedas leves, mesmo com a alta do preço do petróleo.
O barril do Brent, um dos principais referenciais do petróleo, subiu 2,4% na madrugada e passou de US$ 108.
Essa alta preocupa porque eleva a inflação no mundo. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), que controla os juros lá, deve aumentar a taxa de juros na chamada 'superquarta'.
Esse dia é importante porque coincide com a decisão do Copom, o comitê que decide os juros no Brasil.
Os investidores apostam em uma redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, que deve cair para 13,75% ao ano amanhã.
Esse otimismo veio dos dados do comércio varejista em julho. As vendas do 'varejo restrito' caíram 0,8% em relação a junho.
Já o 'varejo ampliado' subiu 0,4%, um desempenho abaixo do que os economistas esperavam (que era um avanço de 0,9%).
Desempenho das grandes empresas e fechamento do dia
No grupo de empresas ligadas a matérias-primas, a Vale teve uma pequena queda de 0,61%.
A Petrobras, por outro lado, teve altas de 1,98% nas ações preferenciais e 2,36% nas ordinárias.
Em Dalian, na China, o preço do minério de ferro caiu 0,56%.
O bom desempenho da Petrobras foi impulsionado por um contrato de longo prazo assinado com a empresa americana Sempra Infrastructure.
O acordo prevê a compra de 0,8 milhão de toneladas de Gás Natural Liquefeito (GNL) por ano, pelos próximos 20 anos.
O fornecimento virá do terminal de Port Arthur, no estado do Texas, nos Estados Unidos.
Na sexta-feira anterior, o Ibovespa tinha fechado o dia em queda de 0,91%, aos 185.500,88 pontos.
Nesta terça-feira, o índice seguiu indeciso, refletindo a mistura de fatores políticos, eleitorais, preços de commodities (matérias-primas) e a ansiedade pelas decisões de juros dentro e fora do Brasil.

Imagem criada por inteligência artificial


