As exportações brasileiras para os Estados Unidos cresceram 12,1% em agosto de 2026, atingindo US$ 3,19 bilhões. O aumento foi impulsionado pela alta de 8,6% nos preços dos produtos, especialmente aeronaves e carne bovina, que foram isentos de novas tarifas. No entanto, o volume de mercadorias enviadas ao mercado americano reduziu 3,1% no mês, reflexo das incertezas geradas pela política tarifária do governo de Donald Trump. Enquanto a balança com os EUA ficou no vermelho, as vendas para a União Europeia dispararam 46,4%, ajudando a balançar comercial brasileira a registrar superávit de US$ 7,39 bilhões no mês.
No mês em que entraram em vigor as novas tarifas do governo Donald Trump, a alta dos preços médios dos produtos ajudou a manter o crescimento das vendas brasileiras aos Estados Unidos.
As exportações somaram US$ 3,190 bilhões no mês, representando uma alta de 12,1% em relação a agosto de 2025, período em que totalizaram US$ 2,845 bilhões. Esse resultado positivo em valor contrasta com a redução no volume de itens exportados.
- Exportações aos EUA subiram 12,1% em valor, mas caíram 3,1% em volume.
- Carne bovina e aeronaves foram isentas das novas tarifas americanas.
- Vendas para a União Europeia avançaram 46,4% em agosto.
- O Brasil teve déficit de US$ 824 milhões no comércio com os EUA no mês.
- A balança comercial total do Brasil fechou agosto com superávit de US$ 7,39 bilhões.
Segundo o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão, o aumento observado foi determinado principalmente pela valorização das mercadorias vendidas aos estadunidenses, e não pela quantidade de produtos embarcados.
Esse aumento das exportações brasileiras no mês está calcado no crescimento de 8,6% nos preços da exportação para os Estados Unidos, informou Brandão ao apresentar os dados da balança comercial de agosto. A dinâmica de preços compensou a queda na quantidade de itens enviados, sustentando o faturamento total.
Principais produtos enviados aos Estados Unidos
Entre os itens que mais contribuíram para o crescimento das vendas em valor estão aeronaves, outros equipamentos, carne bovina, produtos inacabados de ferro ou aço, cal, cimento e materiais de construção, tubos de ferro ou aço, celulose e café. Esses produtos foram fundamentais para manter o valor agregado das exportações em alta.
Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que foram excetuados das novas tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Essa isenção permitiu que esses setores continuassem a ser competitivos e atrativos no mercado americano, mesmo em um cenário de restrições tarifárias gerais contra produtos brasileiros.
O efeito das tarifas sobre o volume de exportações
Apesar da alta de 8,6% no preço médio, as exportações brasileiras aos Estados Unidos recuaram 3,1% em volume em agosto. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a queda no volume chega a 13,6%, enquanto a queda em valor é de 9,7%, totalizando US$ 24,105 bilhões. Isso mostra que, a longo prazo, as tarifas estão reduzindo a quantidade de produtos que o Brasil consegue enviar aos EUA.
As importações brasileiras de produtos estadunidenses também diminuíram no acumulado do ano. Elas somaram US$ 27,316 bilhões entre janeiro e agosto, o que representa uma queda de 8,6% ante o mesmo período de 2025. Com essa redução nas compras, o déficit comercial brasileiro com os Estados Unidos chegou a US$ 3,211 bilhões no período.
Somente em agosto, as compras brasileiras dos Estados Unidos cresceram 1,1%, para US$ 4,014 bilhões. Esse aumento nas importações, somado à queda no volume de exportações, levou a um déficit de US$ 824 milhões no comércio bilateral no mês. É importante notar que os EUA foram o único parceiro comercial com o qual o Brasil apresentou déficit no período.
Brandão afirmou que as oscilações são esperadas diante das diferentes interferências que atingem o comércio entre os dois países. A complexidade da relação comercial brasileira-americana, marcada por mudanças regulatórias frequentes, gera instabilidade nos fluxos de comércio.
Ele explicou: Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo, então, é esperado que tenham essas oscilações, por conta dessas interferências, não só dados aos produtos diretamente afetados, quanto pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes da economia. Essa incerteza afasta investidores e compradores estrangeiros.
Efeitos do acordo Mercosul-União Europeia
Enquanto as vendas aos Estados Unidos oscilaram sob o efeito das tarifas, as exportações brasileiras para a União Europeia tiveram forte avanço em agosto. O desempenho positivo na Europa oferece uma alternativa para os exportadores brasileiros que buscam diversificar seus mercados de destino.
O valor exportado para o bloco europeu somou US$ 5,82 bilhões, crescimento de 46,4% em relação ao mesmo mês do ano passado. O volume embarcado aumentou 30,3%, mostrando que a quantidade de produtos enviados também subiu significativamente.
Entre os principais produtos vendidos aos europeus estão petróleo, cobre, soja, óleos combustíveis, café, tabaco e carne bovina. A diversificação da cesta exportadora para a Europa ajudou a mitigar os impactos negativos sofridos no mercado americano.
Para Brandão, o desempenho reúne diferentes fatores, entre eles as condições de mercado e os efeitos do acordo entre Mercosul e União Europeia. A liberação de tarifas entre os blocos tem aberto novas portas para a indústria e o agronegócio brasileiro.
O diretor relatou: São produtos que o Brasil é muito competitivo e que tem uma demanda internacional crescente. Além disso, ele destacou que são vários fatores. Temos relatos de exportadores que já estão se beneficiando do acordo [Mercosul-UE] nesse período, mas também tem as condições de mercado e de oferta influenciando. Isso sugere que o acordo já está gerando frutos iniciais.
Demanda global e balanço comercial final
Entre essas condições, Brandão citou o aumento da demanda por combustíveis em razão do conflito no Oriente Médio e a maior procura por cobre associada ao aquecimento do setor de tecnologia. Esses fatores externos impulsionaram as vendas de commodities estratégicas para a Europa.
O diretor ponderou, porém, que ainda faltam dados completos fornecidos pelos importadores europeus para dimensionar com precisão o efeito do acordo sobre as exportações brasileiras. A análise completa dependerá da consolidação das estatísticas finais do primeiro semestre.
Segundo o Mdic, pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os Estados Unidos foi afetado pelas tarifas. Essa parcela impactada explica a queda no volume, mas não impede que o valor total suba due aos preços elevados dos produtos não taxados.
Brandão ressaltou que ainda é cedo para medir os efeitos de um eventual redirecionamento das exportações brasileiras para outros mercados além da Europa. Ele afirmou: Nós precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento. O mercado pode levar meses para se reorganizar completamente.
A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,39 bilhões em agosto, alta de 23,8% em relação ao mesmo mês de 2025. Esse resultado positivo geral foi sustentado pelos bons números da exportação para a Europa e outras regiões, superando o déficit pontual com os Estados Unidos.
Entre os principais parceiros comerciais, os Estados Unidos foram o único a apresentar déficit para o Brasil, de US$ 824 milhões. De janeiro a agosto, o saldo comercial brasileiro acumulou superávit de US$ 55,32 bilhões, crescimento de 28,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, consolidando a saúde da balança comercial no período.

Exportações (IA)


