El Niño pode aumentar preço dos alimentos, alerta IBGE

Economia Inflação 11/08/2026 20:00 Agência Estado - O Povo opovo.com.br

O El Niño e as mudanças climáticas podem afetar o preço dos alimentos no Brasil, mas ainda não é possível saber o tamanho do impacto, segundo o IBGE. O instituto divulgou os dados da inflação de julho, que mostrou queda nos preços dos alimentos em casa, mas aumento fora dela.

O El Niño e as mudanças climáticas representam um risco relevante para o comportamento futuro dos preços de alimentos no Brasil, afirmou o gerente de pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Fernando Gonçalves, ao comentar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de julho, divulgado nesta terça-feira, 11, pelo instituto.

O pesquisador ponderou, no entanto, que ainda não é possível quantificar o impacto sobre o IPCA. Segundo ele, o fenômeno altera padrões de chuva e temperatura, podendo comprometer lavouras, dependendo de onde se concentrem excesso de precipitação ou seca.

  • O El Niño é um fenômeno natural que altera o clima no mundo inteiro, causando secas ou chuvas fortes.
  • Isso pode atrapalhar a produção de alimentos, como café e carnes.
  • O IBGE está monitorando o que pode acontecer.
  • No momento, não dá para saber se os preços vão subir ou cair.

Entenda o que pode acontecer com os preços

Gonçalves disse que é preciso acompanhar como o evento vai se desdobrar, citando que alterações no clima podem afetar a produção e, consequentemente, a oferta. "O El Niño traz uma alteração nesses padrões de chuvas", afirmou.

Ao lembrar episódios recentes, o pesquisador apontou que em 2024 também houve El Niño, com reflexos sobre alimentação, incluindo café e carnes em determinados momentos.

Para este ciclo, ele disse que a expectativa é de um El Niño forte e que o monitoramento será determinante para entender se o quadro atual de alívio em alguns alimentos pode se manter ou ser revertido.

"No momento, qualquer coisa que se fale seria mera especulação", concluiu.

Veja os números da inflação de julho

Em julho de 2026, o grupo Alimentação e Bebidas recuou 0,67%, contribuindo para um IPCA de 0,07% no mês e para que a inflação em 12 meses voltasse para baixo do teto da meta depois de dois meses acima da marca.

O resultado foi influenciado pela alimentação no domicílio (-1,14%), enquanto a alimentação fora do domicílio acelerou de 0,15% em junho para 0,55% em julho.