O Ministério Público investiga a mudança suspeita de uma empresária para um condomínio de luxo em Sinop, o que pode indicar destruição de provas. O grupo é acusado de desviar cerca de R$ 28 milhões de uma empresa de algodão.
A mudança da empresária Marianna Costa Araújo Duarte Mota de Lucas do Rio Verde para um condomínio de alto padrão em Sinop foi usada como um dos motivos para a Justiça autorizar buscas na segunda fase da Operação Safra Desviada, do Gaeco, no último dia 24. A juíza Cláudia Anffe Nunes da Cunha, de Sinop, destacou que Marianna, filha do empresário Renato Antonio Duarte, suspeito de liderar o esquema, trocou de endereço logo após a primeira fase sem avisar as autoridades.
As investigações apontam que a mudança pode ter sido uma manobra para atrapalhar a Justiça. O Gaeco relatou que, depois da primeira fase, Marianna se mudou de repente de Lucas do Rio Verde para o Condomínio Carpe Diem, em Sinop, sem comunicar ninguém. Além disso, em Pernambuco, empresas ligadas a Renato e Marianna não foram encontradas nos endereços cadastrados. Isso mostra uma prática comum em organizações criminosas, que mudam de endereço para esconder bens e destruir provas.
- O prejuízo estimado é de R$ 28,77 milhões, segundo o Ministério Público.
- Renato é apontado como sócio das algodoeiras e possível líder do esquema.
- Marianna é suspeita de impedir a fiscalização das empresas.
- A fraude envolvia rebaixar a qualidade do algodão para desviar dinheiro.
- A segunda fase da operação foi deflagrada em 24 de julho em Mato Grosso.
De acordo com a decisão, Renato é sócio-proprietário das algodoeiras e um dos líderes, atuando em fraudes contratuais e na gestão das empresas. Ele ainda usaria uma aeronave para esconder documentos. Marianna, por sua vez, é administradora das unidades de beneficiamento e teria bloqueado o acesso de funcionários do Grupo Lermen às algodoeiras, além de se esconder depois da operação.
Como funcionava o esquema
Conforme a Justiça, a matriz em Lucas do Rio Verde concentrava decisões gerenciais e documentos do grupo. A filial em Nova Ubiratã, na Fazenda Vale do Rio Celeste, era usada para manipular o beneficiamento e a classificação do algodão. Já a unidade em Sorriso, na Fazenda Paranatinga, foi citada depois que testemunhas viram caixas de documentos sendo retiradas no dia da primeira fase.
Segundo o Ministério Público, Renato e Marianna comandavam uma fraude na classificação visual do algodão. Plumas de qualidade eram rebaixadas artificialmente, causando descontos e cancelamentos de contratos. Em seguida, o algodão era direcionado para empresas parceiras através de cessões de crédito fraudulentas, desviando dinheiro do Grupo Lermen.

Operação Safra Desviada



