Há quase três décadas, o projeto social Ágape Cia Break transforma realidades na periferia de Cuiabá, unindo break, rap, grafite e skate. Com apoio da comunidade, atletas locais conquistam pódios e viajam para competições nacionais, mudando suas perspectivas de vida.
Há quase três décadas, o projeto social Ágape Cia Break vem transformando realidades na periferia de Cuiabá. Sediado na Igreja Castelão do Praeirinho, o projeto se consolidou como um verdadeiro ponto de cultura, esporte e cidadania em uma região historicamente carente de recursos, unindo o break, o rap, o grafite e até mesmo o skate.
Eu costumo dizer que a gente conhece uma árvore pelos seus frutos e, graças a Deus, o projeto deu seus frutos dentro da comunidade. Tivemos atletas sendo formados aqui, b-boys sendo formados aqui e, o principal, cidadãos sendo formados aqui, destaca com orgulho o pastor Clodoaldo.
Resumo da notícia
- O projeto social Ágape Cia Break existe há quase 30 anos na periferia de Cuiabá.
- Ele ensina dança de rua, rap, grafite e skate para crianças e jovens.
- Os alunos já ganharam vários campeonatos e viajaram para outros estados.
- Muitos alunos tiveram a primeira chance de andar de avião e ver o mar.
- O projeto conta com a ajuda de parceiros para continuar funcionando.
A força do legado é tamanha que ex-alunos da primeira geração atuaram como instrutores e hoje a segunda geração ensina os filhos dos pioneiros. Além de o espaço garantir um ambiente climatizado e seguro, o Ágape oferece refeições, como lanches e jantas, e transmite ensinamentos bíblicos e valores de disciplina.
As dificuldades para manter a estrutura são diárias, mas a solidariedade de parceiros locais, que recentemente presentearam os atletas com tênis novos, e a fé na continuidade mantêm o projeto firme.
A gente tem muita dificuldade com relação a manter esse lugar um ambiente saudável, um ambiente seguro... Mas a gente vai à garra, a gente vai à luta, e vira e mexe aparecem alguns parceiros para nos ajudar, relata o pastor.
Essa disciplina toda tem rendido frutos expressivos nas pistas de competição e mudado a perspectiva de vida dos pequenos b-boys e b-girls, expressões usadas para designar meninos e meninas que dançam break.
Atualmente, os alunos marcam presença de peso no ranking da federação, acumulando pódios com nomes como Julinha, que é campeã na categoria Kids Feminino; Ryan, que foi segundo colocado no Kids Masculino; e seu irmão Renan, que alcançou o terceiro lugar no Kids Masculino. Além deles, Bia, irmã de Julinha, tornou-se a segunda colocada no Juvenil Feminino, e o B-Boy Joca foi o terceiro colocado no Juvenil Masculino.
Para crianças que muitas vezes viviam uma realidade limitada pelas barreiras financeiras, o projeto abriu portas para o Brasil. No ano passado, a trupe viajou para representar Mato Grosso em uma etapa nacional em João Pessoa, na Paraíba, proporcionando a muitos deles a inesquecível experiência de viajar de avião e ver o mar pela primeira vez.
A alegria e a emoção dessa rotina intensa de treinos e viagens ficam evidentes nos relatos dos próprios protagonistas. A jovem Bia, conhecida como Biger Bia, que dança há dois anos, inspirada pelos passos que via o pai, presente no projeto desde o início, há 25 anos, dar desde pequena, resume a importância do espaço em sua vida.
Se não fosse meu pai, eu não estaria aqui hoje dando essa entrevista para vocês, e também tive várias oportunidades, já fui para a Paraíba, viajei para vários lugares do interior aqui de Mato Grosso mesmo, relatou ao GD.
Já o pequeno Renan, de 11 anos, que integra o grupo há quase três anos, reforça que a amizade e o sonho de subir ao pódio são os grandes motores do seu dia a dia. Eu me sinto muito emocionado de estar realizando mais um sonho, de estar saindo aqui de Mato Grosso. Eu espero que eu pegue o pódio, primeiro, segundo ou terceiro lugar, comentou.
Sobre a repercussão de um campeonato de Farmar Aura em Cuiabá, em que os irmãos Rian e Renan brilharam no pódio e acabaram enfrentando comentários maldosos na internet, a resposta veio com a autenticidade e a leveza típicas das crianças. Lá no campeonato eu estava com um pouco de vergonha. Mas já sou louco mesmo, vou fazer uma loucura. E é isso, disse Renan de forma irreverente.
Para os coordenadores, o foco segue inabalável no que realmente importa, que é representar com orgulho a cultura hip hop, afastar os jovens dos riscos da rua e celebrar a arte. Eles foram lá para representar a cultura, foram lá para dançar break, e conseguiram êxito dançando break, fazendo o que eles sabem, fazendo o que eles gostam. Independentemente dos questionamentos, independentemente de toda a conversa que teve em volta disso, nossos alunos foram lá para representar a cultura hip hop... E é isso que importa para nós, explicou Clodoaldo.
Próximo desafio
A equipe infanto-juvenil segue neste sábado (15) para Primavera do Leste (231 km ao sul de Cuiabá), onde irá competir na segunda etapa do campeonato com apoio, afeto e muita disciplina para fazer com que os sonhos da periferia possam voar muito alto. Os alunos estão se preparando aqui, estão treinando bastante. Estão super empolgados. E eles vão para fazer bonito mais uma vez, concluiu o pastor, convidando os leitores para assistir à transmissão do campeonato durante a tarde pelo Instagram do projeto @agapeciabreak e @leozin.cba.

Projeto Ágape Cia Break




