Filme sobre cineasta xavante é selecionado para Festival de Cinema de Gramado

Cultura Cinema 08/08/2026 07:20 Mariana Lenz Repórter primeirapagina.com.br

O documentário 'Divino: Sua Alma, Sua Lente', que conta a história do cineasta indígena xavante Divino Tserewahú, foi escolhido para participar da mostra competitiva do 54º Festival de Cinema de Gramado, um dos mais importantes do Brasil. O filme, dirigido por Gilson Moraes da Costa e Clea Torres, mostra os 35 anos de carreira de Tserewahú e será exibido entre os dias 12 e 22 de agosto.

O documentário 'Divino: Sua Alma, Sua Lente', que conta a história do cineasta indígena xavante Divino Tserewahú, foi selecionado para a mostra competitiva do 54º Festival de Cinema de Gramado. Considerado um dos principais eventos de cinema do país, o festival será realizado entre os dias 12 e 22 de agosto.

  • O filme foi dirigido por Gilson Moraes da Costa e Clea Torres, com codireção do próprio Tserewahú.
  • O documentário celebra os 35 anos de carreira do cineasta, que registra a cultura do povo xavante.
  • A produção conta a história desde a chegada da primeira câmera VHS à comunidade de Sangradouro.
  • O projeto conta com o apoio do Núcleo de Produção Digital da UFMT, Campus do Araguaia.
  • A obra foi financiada pela Lei Paulo Gustavo, com apoio do Governo de Mato Grosso e do Ministério da Cultura.

Dirigido por Gilson Moraes da Costa e Clea Torres, com codireção de Tserewahú, a obra destaca a contribuição do cineasta, que há 35 anos registra a cultura, o cotidiano e as transformações de seu povo. A narrativa parte da chegada da primeira câmera VHS à comunidade de Sangradouro e acompanha a construção de sua relação com o audiovisual.

Cinema indígena feito a partir do próprio olhar

Divino Tserewahú explica que o documentário registra sua história com a câmera, sua relação com a comunidade e os desafios enfrentados desde o início da carreira. Atualmente, ele também atua como professor de cinema indígena, compartilhando seus conhecimentos com jovens xavantes.

"Cinema indígena é feito por nós, por indígenas, por meio dos nossos conhecimentos, dos nossos olhares e dos nossos pensamentos. Não é somente uma imagem bonita, mas aquilo que ela significa para o nosso povo", afirma.

Para o cineasta, a participação em Gramado permitirá que novos públicos conheçam a realidade do povo xavante e a produção audiovisual desenvolvida nas aldeias.

"Espero que as pessoas aprendam e passem a respeitar, por meio das imagens, a existência da cultura e da linguagem indígena. O festival vai possibilitar que muitos cineastas e espectadores conheçam o meu trabalho e as obras que faço no cinema", conclui.

Projeto auxilia produções independentes

Criado em 2014, o NPD atua na formação de profissionais, na difusão de produções e no apoio à realização de obras audiovisuais. O projeto de extensão oferece suporte técnico, equipamentos, logística, criação e acompanhamento de campo para produções independentes, especialmente aquelas relacionadas a questões sociais, comunidades vulnerabilizadas e minorias étnicas.

Para Gilson Costa, diretor do filme e coordenador do NPD, a seleção representa o reconhecimento de um trabalho desenvolvido coletivamente e amplia a visibilidade das ações realizadas pela Universidade na região do Araguaia.

"Estar no Festival de Gramado é motivo de muito orgulho, porque levamos o nome da UFMT, do Campus do Araguaia e do NPD para uma importante janela de divulgação. O filme também apresenta as ações e os projetos de extensão desenvolvidos no âmbito da Universidade", afirma.

O Núcleo trabalhou em parceria com Clea Torres, egressa do curso de Jornalismo da UFMT e proponente do projeto. Segundo Gilson, a atuação continuada do NPD contribuiu para transformar Barra do Garças e a região do Médio Araguaia em referências na produção audiovisual de Mato Grosso.

"Esses filmes ajudam a contar a história do Araguaia e a preservar nossa memória, diversidade étnica, riqueza cultural, paisagens e modos de vida. Essa é a força dos projetos de extensão voltados à cultura e às artes", destaca.

A obra audiovisual é realizada com apoio do Núcleo de Produção Digital (NPD) da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus do Araguaia, e foi financiada pela Lei Paulo Gustavo, por meio do Governo de Mato Grosso, da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT), do Ministério da Cultura e do Governo Federal.