A ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que o plano nacional para a cultura dos povos indígenas só vai dar certo se houver escuta e respeito às diferenças. A reunião para discutir o plano aconteceu em Aracruz, no Espírito Santo, com a participação de várias lideranças indígenas.
A criação do Plano Nacional das Culturas dos Povos Indígenas depende de escuta ativa e do reconhecimento da diversidade das culturas, disse a ministra da Cultura, Margareth Menezes, ao participar da reunião do grupo de trabalho responsável pela construção da política, em Aracruz (ES). Ela foi recebida por lideranças e representantes de organizações indígenas com rituais, música e danças.
- A ministra Margareth Menezes foi recebida com rituais, música e danças por lideranças indígenas em Aracruz (ES).
- O plano nacional pode ajudar a preservar mais de 300 línguas indígenas faladas no Brasil.
- Margareth Menezes disse que o plano é uma forma de pagar uma dívida histórica do Brasil com os povos originários.
- A reunião contou com a presença de grupos como a Apib e a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira.
- O plano busca que as políticas culturais cheguem a aldeias, escolas e periferias, não apenas a grandes centros.
Eu estou ouvindo, abrindo a escuta e tentando compreender e acessar todas as pautas que os povos originários trazem. Cada um com vivências diferentes, línguas diferentes, comidas diferentes. É um universo muito grande, disse a ministra.
Dívida histórica com os povos indígenas
O processo responde também, segundo Margareth Menezes, a uma dívida histórica do Estado brasileiro com os povos originários.
Estamos em um processo de fortalecimento da própria institucionalidade do Ministério da Cultura do Brasil, para que nunca mais ninguém ouse destruir o ministério, disse a ministra, lembrando da extinção da pasta e a interrupção das políticas culturais durante a gestão anterior.
Capilaridade das políticas culturais
Segundo ela, o objetivo é fazer com que essas políticas tenham mais capilaridade, chegando às aldeias, escolas, periferias, Pontos e Pontões de Cultura. O Brasil tem essa dinâmica diversa. A gente não quer fazer cultura só para um lugar. A gente quer um projeto de gestão do governo para chegar a todos os lugares.
A gente precisa da voz da sociedade civil para cristalizar essas conquistas, porque não pode ser uma obrigação só do ministério. É uma luta de todos nós que acreditamos nessa mesma direção, disse a ministra, ao defender a manutenção de medidas como a Política Nacional Cultura Viva e a Política Nacional Aldir Blanc.
Participação de várias organizações
Além de representantes do MinC, estiveram presentes organizações e representantes indígenas como o Comitê de Cultura do Acre, a Associação Xingu, a União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (Umiab), a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação Nacional das Mulheres Indígenas Guerreiras da Ancestralidade (ANMIGA).
*A equipe de reportagem viajou a convite do Ministério da Cultura

© Tomaz Silva/Agência Brasil


