Estudante agredido na UFRJ diz que não é nazista

Cidades Agressão 30/08/2026 16:47 Estadão Conteúdo cnnbrasil.com.br

Um estudante de História foi agredido por alunos na UFRJ após ser visto com camiseta e acessórios que lembravam símbolos nazistas. Ele diz que estudava o tema por curiosidade acadêmica e nega ter cometido crime. A polícia investiga a agressão.

Um estudante de História da UFRJ foi agredido por outros alunos após aparecer em um campus universitário com uma camiseta e acessórios que pareciam associados ao nazismo. Ele nega as acusações e afirma que não é nazista.

A agressão aconteceu na terça-feira, 25 de agosto, no Centro do Rio de Janeiro. O caso está sendo investigado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro.

  • O estudante afirma que estuda o nazismo apenas por interesse acadêmico.
  • Ele usa a expressão esquerda marxista para explicar seu posicionamento político.
  • A camiseta pertencia a uma banda punk e continha um símbolo diferente do usado pelo grupo nazista SS.
  • A vítima disse que sentiu dor, ficou apática e classificou o episódio como tentativa de homicídio.
  • A UFRJ abriu uma sindicância e disse que não aceita agressão física dentro da universidade.

O que o estudante disse

Diego Costa da Silva Araújo afirmou que não cometeu nenhum crime e que nenhuma das acusações feitas contra ele é verdadeira. Ao responder sobre sua posição política, ele disse se identificar como esquerda e até como esquerda marxista.

Ele explicou que se interessa pela iconografia e pela simbologia do nazismo. Segundo ele, esse tema foi apropriado por diferentes culturas e pode ser estudado de forma crítica. Diego disse que o fascismo é complexo e difícil de definir porque mistura ideias diferentes e, às vezes, contraditórias.

O estudante também negou participar de grupos extremistas. Ele se descreveu apenas como observador desses espaços, sem histórico de participação em grupos no Telegram, Discord ou no chamado Redpill.

A camiseta e os símbolos

A blusa usada por Diego era de uma banda punk chamada Death in June. O símbolo da caveira na peça não é exatamente o mesmo usado pela SS, organização paramilitar do nazismo. O estudante disse que o punk, como movimento cultural e político, costuma usar símbolos para criticar, debochar ou ressignificar ideias.

Ele também explicou que o broche que usava não era de apoio ao nazismo. De acordo com ele, o acessório tinha uma suástica com um símbolo de proibição, como forma de dizer que ele rejeita esse símbolo.

Como ocorreu a agressão

A briga começou depois que outros alunos tentaram falar com Diego e chamaram a segurança do campus. Eles queriam retirá-lo do local e encaminhá-lo à delegacia. A discussão cresceu e virou agressão física, com socos, tapas e chutes dentro e fora do prédio.

O estudante disse que foi retirado da sala de aula e classificou o episódio como tentativa de homicídio. Ele também negou ter feito xingamentos racistas contra os agressores. Três dias depois da agressão, Diego relatou que ainda sentia dores, não conseguia comer bem, dormir ou ter apetite.

O que a UFRJ decidiu

A UFRJ e a direção do IFCS abriram uma comissão de sindicância para apurar o caso. A universidade disse que rejeita qualquer apologia ao nazismo, ao fascismo, ao racismo, ao antissemitismo e a qualquer forma de intolerância ou discriminação.

A instituição também reforçou que não aceita agressão física ou violência como resposta a divergências de opinião. Para a UFRJ, o ambiente acadêmico deve priorizar a convivência democrática. A universidade informou que intensificou reuniões e ações com os estudantes para evitar novos conflitos no campus.