A 14ª edição da Festa de Iemanjá da Praia de Iracema reúne centenas de participantes entre os dias 14 e 16 de agosto, celebrando a fé, a cultura e a ancestralidade das tradições de terreiro do Ceará.
Celebração à Rainha do Mar em festejos na Praia de Iracema neste sábado, 15 / Crédito: FCO FONTENELE
As celebrações a Iemanjá, Rainha do Mar, reúnem a cultura, a fé e a ancestralidade das tradições de terreiros do Ceará, na Praia de Iracema, em Fortaleza, neste sábado, 15. Na capital cearense, as homenagens à mãe de todos os orixás compõem o calendário oficial do município, sendo reconhecidas como patrimônio imaterial desde 2018.
- A Festa de Iemanjá é reconhecida como patrimônio cultural imaterial de Fortaleza desde 2018.
- Em Fortaleza, Iemanjá é celebrada em sincretismo com Nossa Senhora da Assunção, padroeira da cidade.
- A programação oficial começou na sexta-feira (14) e vai até domingo (16).
- Apresentações de grupos como Levada Brasileira e Mestre Juninho Brasil destacam ritmos ligados ao Candomblé e à Umbanda.
- O evento é visto como uma forma de combater o preconceito e ocupar espaços públicos com a cultura de terreiro.
Em Fortaleza, a Festa de Iemanjá é sincretizada religiosamente com as homenagens a Nossa Senhora da Assunção, padroeira do município, também comemorada em 15 de agosto. A programação oficial teve início na noite dessa sexta-feira, 14, e segue até o domingo, 16.
Na 14ª edição dos festejos de Iemanjá na Praia de Iracema, o clima, pela manhã, era de harmonia entre os fiéis. Entre os participantes, havia também os curiosos, a maioria deles atraídos pelo espetáculo de flores, música e trajes elaborados, tradicionais das giras e cortejos, onde o branco e azul predominam em homenagem à orixá.
Mãe Welia de Iemanjá, representante do terreiro Palácio das Águas Claras Iemanjá, localizado na Barra do Ceará, explica que celebrar a divindade tem como propósito trazer paz, prosperidade, felicidade e caminhos abertos. No balaio de Iemanjá, de acordo com a sacerdotisa, são ofertados perfumes, rosas, frutas e peixe, por exemplo.
No catolicismo, ela é Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Assunção, Nossa Senhora dos Navegantes; e na umbanda se chama Iemanjá, que é a rainha de todos os orixás, para poder nos ajudar, abrir nossos caminhos iluminando-os de rosas, perfume e mais para aqueles que somos da nossa religião, explica.
A fé que vem de família
Aos 46 anos, a doméstica Ângela Maria de Sousa Moura conta que a participação nas festas de Iemanjá é tradição de família. Ela começou a frequentar o evento aos três anos de idade, acompanhada da mãe.
Atualmente, ocupa a função de cambone feita dentro de seu terreiro, localizado no município de Pentecoste, o que significa que é responsável por servir os caboclos dentro do ritual religioso.
Para ela, uma das maravilhas dos festejos a Iemanjá em Fortaleza está na oportunidade de celebrar sua fé em comunidade, conhecendo e interagindo com outros terreiros.
Eu apresento a Iemanjá como uma padroeira boa, ótima. Todo ano a gente está aqui, é maravilhoso a gente conhecer todos os terreiros, descreve.
Música e agradecimentos à beira do mar
A programação oficial da 14ª Festa de Iemanjá de Fortaleza contou com a apresentação do Grupo Levada Brasileira e do Mestre Juninho Brasil. Ao O POVO, Mestre Juninho destacou a celebração de Iemanjá como um ato de resistência cultural, profissionalismo musical e ocupação de espaços urbanos em Fortaleza.
O artista explica que ritmos populares como o axé music e o samba reggae têm suas raízes e cadências nos batuques dos terreiros de candomblé e umbanda. Para o Mestre Juninho, a realização do evento em um dos principais cartões-postais da cidade é uma vitória para enfrentar o preconceito ainda latente contra a cultura de terreiro.
Quando a gente pensa em trazer um evento desse para cá, com esse porte que se apresenta, a gente já está vencendo muitas barreiras. A importância de nós trazermos a etnia, esses ritmos que a gente vai desenvolver e mostrar para essa galera, defronte a esses arranha-céus, já é muita coisa, mas a gente sabe que pode conseguir mais, defende.
Embalado pelo batuque dos tambores, o aposentado Jorge Luís, 65, veio com a família para agradecer às bênçãos alcançadas com Iemanjá. Em uma das mãos, carregava um buquê de flores, na outra a mão da esposa, Patrícia, que conduzia a filha do casal, Maria Clara, 3.
Há pelo menos quatro anos, o casal participa dos festejos à orixá na Praia de Iracema, descritos como um momento de pureza, esperança e agradecimento pelas graças conquistadas.
Estamos com o coração sempre aberto e feliz e a expectativa é que continuemos saudáveis, felizes, tocando a vida do jeito que ela está, que Deus e Nossa Senhora já estão nos proporcionando, emociona-se Jorge Luís.








