O Distrito Federal registrou um aumento preocupante da violência em 2025, com destaque para o crescimento de 31,8% nos feminicídios e 42% nas tentativas. O levantamento do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 mostra que as mortes violentas subiram 5,8%, deixando a região em alerta. Apesar de ainda ter uma das menores taxas de violência do país, a alta recente acende um sinal vermelho para as autoridades.
O Distrito Federal apresentou um aumento preocupante na violência em 2025. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado nesta quinta-feira (23). O estudo mostra que cresceu o número de Mortes Violentas Intencionais (MVI) e também os crimes contra mulheres, principalmente os feminicídios e as tentativas de feminicídio.
Mesmo estando entre os estados com as menores taxas de morte violenta do país, a alta registrada acende um alerta. A tendência de crescimento interrompe um período de estabilidade e levanta dúvidas sobre a eficácia das políticas de segurança pública.
- Entre 2024 e 2025, as mortes violentas no DF subiram 5,8%, passando de 270 para 287 casos.
- Os feminicídios cresceram 31,8%: de 22 casos em 2024 para 29 em 2025.
- As tentativas de feminicídio aumentaram 42%: de 95 para 135 ocorrências.
- O DF é o segundo estado do país com maior crescimento de homicídios de mulheres e feminicídios, com alta de 67,4%.
- Apesar da alta, o DF ainda tem a terceira menor taxa de mortes violentas por 100 mil habitantes do Brasil.
Feminicídios avançam e violência contra a mulher dispara
O dado mais alarmante é sobre a violência contra a mulher. Os feminicídios consumados passaram de 22 para 29 casos, um aumento de 31,8%. As tentativas de feminicídio também subiram muito, de 95 para 135 ocorrências, uma alta de 42%.
Os homicídios de mulheres aumentaram de 33 para 43 casos, e as tentativas de homicídio passaram de 161 para 212 registros. Isso mostra uma escalada da violência letal contra as mulheres.
Nos indicadores nacionais, o Distrito Federal aparece como a segunda unidade da Federação com maior crescimento nos homicídios de mulheres e feminicídios, com uma variação de 67,4%. Também ocupa a segunda colocação no aumento das tentativas de homicídio e tentativas de feminicídio contra mulheres, com alta de 63,7%.
Esses números reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas para prevenir a violência doméstica, fortalecer a rede de proteção às vítimas e responsabilizar os agressores.
Homicídios e latrocínios puxaram alta das mortes violentas
O crescimento das Mortes Violentas Intencionais foi impulsionado principalmente pelos homicídios dolosos, que subiram de 233 para 253 casos, e pelos latrocínios (roubos seguidos de morte), que aumentaram de 8 para 13 registros.
Por outro lado, houve redução nas lesões corporais seguidas de morte, que caíram de 14 para 7 casos, e nas mortes decorrentes de intervenção policial, que passaram de 15 para 14. O número de policiais vítimas de crimes violentos também recuou, passando de um caso em 2024 para nenhum registro em 2025.
Apesar dessas reduções, elas não foram suficientes para compensar o aumento dos homicídios e dos latrocínios, resultando na elevação do total de mortes violentas no Distrito Federal.
Tendência preocupa e cobra respostas
Os dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, embora o Distrito Federal continue entre as unidades da Federação com menores taxas de violência letal, a trajetória de crescimento observada em 2025 acende um sinal de alerta.
O aumento das mortes violentas, junto com a explosão dos indicadores de violência contra a mulher, evidencia desafios importantes para as políticas de segurança pública e de proteção às vítimas. O cenário reforça a necessidade de ações mais efetivas de prevenção, investigação e repressão aos crimes, além do fortalecimento da rede de atendimento às mulheres em situação de violência.
Os números também indicam que conter a escalada dos feminicídios e reduzir os homicídios voltará a ser uma das principais provas para a gestão da segurança pública no Distrito Federal nos próximos anos.

Foto: Banco de Imagens/CNJ


