Bento Bezze, de 12 anos, foi morto por uma bala perdida enquanto se divertia na festa de primeira comunhão de uma amiga, dentro do condomínio onde morava, na Pavuna, Zona Norte do Rio. A polícia investiga se o tiro veio de uma festa de um traficante na comunidade vizinha.
Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, estava em uma festa de primeira comunhão de uma amiga. Tinha bolo, brigadeiro, brincadeiras e fotos com a turma. De repente, no meio da comemoração, na tarde de domingo, ele foi atingido por um tiro no peito e morreu. A polícia foi chamada, mas moradores já tinham levado o menino para o Hospital Santa Teresinha, em São João de Meriti, onde ele chegou sem vida.
- Bala perdida: O tiro veio de fora do condomínio, possivelmente de uma comunidade próxima.
- Festa de traficante: No mesmo horário, um chefe do tráfico, conhecido como 'Pudim', fazia aniversário na comunidade da Quitanda.
- Brincadeira fatal: Bento colocou a mão no peito e disse 'bala, bala', mas os amigos acharam que era brincadeira até ele cair.
- Irmão viu tudo: O irmão de 13 anos viu fumaça saindo do peito de Bento e correu para pedir socorro.
- Mãe desmaiou: A mãe de Bento estava em casa e, ao saber do que aconteceu, desmaiou antes de conseguir ajudar.
A polícia investiga se a bala perdida veio da comunidade da Quitanda, no Complexo da Pedreira, na Pavuna, a menos de dois quilômetros de distância. No mesmo fim de semana, havia uma festa de aniversário de Douglas Oliveira dos Santos, o 'Pudim', chefe do tráfico local.
Jacqueline Gomes, mãe da menina que festejava a primeira comunhão, contou que ouvia tiros às vezes, mas no domingo ninguém ouviu nada. Ela conhecia Bento desde que ele nasceu e lembrou que ele e sua filha passavam horas brincando juntos.
Bento vivia com a mãe, Fernanda, a avó, Eduarda, e dois irmãos: Kauã, de 18 anos, e outro de 13. Na sexta e no sábado antes da festa, ele estava na casa de Jacqueline. No momento em que foi atingido, sua filha e o irmão de 13 anos estavam perto dele, ao lado da quadra, enquanto outras crianças jogavam futevôlei.
Moradores próximos confirmam que outra comemoração acontecia na comunidade da Quitanda. As câmeras do condomínio registraram o momento em que a amiga e o irmão saíram correndo gritando por socorro. O síndico, Marcelo Costa, disse que não teve coragem de ver as imagens, mas que quem viu contou que Bento se levantou com a mão no peito e caiu para frente, no colo do irmão.
Marcelo disse que todos ficaram desesperados para ajudar. O filho dele, de 8 anos, está muito triste e disse que Bento o defendia como se fosse da família.
Segundo a madrinha, Camila Sant'Anna, Bento era muito agarrado à mãe e à avó. Ele gostava de ficar ao lado de Fernanda enquanto ela fazia unhas das clientes em casa. A mãe estava em casa quando ele foi atingido e, ao saber, desceu correndo com o filho mais velho, mas desmaiou antes de chegar ao carro.
Camila disse que Fernanda está destruída e não para de chorar, esperando Bento voltar pela porta da frente.
Na escola, Bento era dedicado e tirava notas boas. Queria ser jogador de futebol, como o ídolo Neymar, e estava batalhando para completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2026.
O corpo de Bento foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, e liberado pela família na tarde de segunda-feira. O pai, devastado, não quis falar com a imprensa. O tio Daniel de Castro lamentou que o condomínio estava movimentado, as crianças brincando, tudo normal, e que Bento faleceu nos braços do irmão.

Bento Costa Petillo Beze, de 12 anos, abraça o pai, Luiz; o menino morreu após levar um tiro de bala perdida na Pavuna


