Diagnósticos tardios crescem, especialmente entre mulheres, impulsionados por mais informação e mudanças nos critérios clínicos
Durante o Abril Azul, um movimento tem ganhado destaque: o aumento de diagnósticos de autismo na vida adulta. Dados recentes do Centers for Disease Control and Prevention (CDC) indicam que 1 em cada 36 crianças é diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), número que vem crescendo ao longo dos anos e reflete, principalmente, avanços na identificação do transtorno. Esse cenário ajuda a explicar por que muitos adultos estão sendo diagnosticados apenas agora.
A tendência revela uma realidade que por muito tempo passou despercebida: muitas pessoas chegaram à vida adulta sem saber que estavam dentro do espectro. O aumento das identificações tardias, especialmente entre mulheres, está ligado a avanços no conhecimento sobre o autismo, mudanças nos critérios diagnósticos e maior acesso à informação.
“Durante muito tempo, o diagnóstico foi baseado em um modelo mais restrito, que não contemplava toda a diversidade do espectro. Hoje, entendemos que o autismo pode se manifestar de formas muito diferentes, inclusive em pessoas com alta funcionalidade e boa adaptação social”, explica Mirthis Czubka de Abreu, coordenadora do curso de Psicologia da Faculdade Anhanguera.
Por que os diagnósticos estão aumentando?
O crescimento dos diagnósticos tardios está diretamente relacionado à evolução do entendimento sobre o autismo. A ampliação dos critérios diagnósticos permitiu reconhecer um espectro mais diverso de comportamentos, enquanto o acesso à informação tem levado mais pessoas a identificar sinais em si mesmas.
Além disso, a redução do estigma tem incentivado a busca por avaliação profissional. Hoje, é mais comum que adultos procurem ajuda ao perceberem padrões ao longo da vida, como dificuldades em interações sociais, necessidade intensa de rotina, sensibilidade sensorial ou uma sensação persistente de não pertencimento.
Por que isso é mais comum em mulheres?
O aumento de diagnósticos em mulheres ganha ainda mais relevância no contexto do Abril Azul. Isso acontece, em grande parte, porque elas tendem a desenvolver estratégias de adaptação social desde cedo, um fenômeno conhecido como “mascaramento”.
“Mulheres costumam observar e reproduzir comportamentos sociais para se encaixar, o que pode esconder sinais do autismo por muitos anos. Esse esforço contínuo, no entanto, pode gerar exaustão emocional, ansiedade e até quadros de burnout”, destaca a professora.







