Duas sucuris-amarelas foram vistas entrelaçadas fora da época de acasalamento no Pantanal de Mato Grosso, mas uma bióloga diz que não é possível confirmar que os animais estavam se reproduzindo. A especialista explica que as serpentes podem permanecer juntas e entrelaçadas mesmo apenas em repouso.
Duas sucuris-amarelas foram encontradas entrelaçadas, fora da época de acasalamento, na cidade de Porto Jofre, no estado de Mato Grosso. O registro foi feito na última semana por uma turista da região, que trabalha com turismo.
A posição das cobras chamou a atenção das pessoas e gerou dúvidas sobre o motivo do comportamento. No entanto, uma bióloga esclareceu que não dá para afirmar com certeza que os animais estavam se reproduzindo. Ela explicou que as sucuris também podem ficar grudadas uma na outra durante momentos de descanso.
As imagens foram captadas entre pedras e mostram as duas serpentes quase paradas, emaranhadas uma na outra. A mulher que filmou explicou que observou os bichos por dois dias seguidos, no mesmo local. De acordo com ela, na primeira vez as cobras estavam naquela posição curada, e no dia seguinte uma delas já tinha a cabeça voltada para frente.
Confira os principais detalhes da história:
- Duas sucuris-amarelas foram filmadas entrelaçadas em Porto Jofre, mas a bióloga afirma que o acasalamento não pode ser confirmado.
- O vídeo foi gravado na última semana por uma mulher que trabalha com turismo na região.
- Nas imagens também aparecem carrapatos presos nos corpos das cobras.
- A sucuri-amarela não é venenosa e as fêmeas podem medir cerca de 4 metros.
- Naturalistas pedem para não incomodar os animais durante o acasalamento.
Segundo a mulher, dias antes do registro, outros turistas já tinham visto a mesma sucuri acompanhada por dois machos. A experiência reforça que esse comportamento é comum na região.
O acasalamento é comum nessa época
Para entender melhor o caso, foi ouvida uma bióloga chamada Angélica Gomes da Silva. Ela explicou que as imagens, sozinhas, não permitem dizer que os animais estavam se reproduzindo.
O problema principal é o momento em que o vídeo foi gravado. A especialista contou que os períodos de acasalamento da espécie costumam acontecer entre os meses de abril e maio. No caso, o registro ocorreu bem depois desse intervalo.
Isso significa que a posição das cobras pode ter outro sentido. As serpentes costumam aglomeradas e entrelaçadas enquanto descansam, como forma de proteção ou para economizar energia.
Com a chegada da temporada certa, as fêmeas liberam um odor especial que atrai vários machos.
Quando mais de um animal tenta disputar a mesma fêmea, podem ocorrer aquelas imagens conhecidas como bolos de serpentes, que são formadas por vários bichos emaranhados juntos.
Apesar de tudo, a bióloga destacou que ver as cobras se reproduzindo na natureza é algo raro. Ela disse que isso acontece quase nunca, principalmente com tubulares desse tamanho.
O acasalamento de serpentes é sempre raro, ainda mais com indivíduos desse porte, afirmou a especialista.
Ela também reforçou que os turistas não devem se aproximar dos animais, nem mesmo quando parecem estar se reproduzindo. A mulher alertou que isso pode assustar as cobras, já que elas ficam concentradas naquele momento importante.
Caso alguém se encoste muito, ela pode reagir se sentir ameaça.
Além disso, mexer com os bichos pode atrapalhar a rotina natural da espécie, que precisa seguir em paz para sobreviver.
Só de aproximar e de mexer com esses bichos é sempre um risco. Primeiro porque eles estão focados na reprodução e qualquer aproximação pode ser vista como ameaça. Segundo, porque não podemos atrapalhar a biologia natural da espécie.
É por isso que os especialistas recomendam manter distância e respeito pelos animais.
Carrapatos apareceram nas imagens
Além do tema do acasalamento, as fotos mostraram outro detalhe interessante. Carrapatos foram encontrados presos nos corpos das duas sucuris.
Esses parasitas costumam ficar mais associados a mamíferos. Mas, de acordo com a bióloga, é relativamente normal ver a presença deles nas cobras.
Os insetos costumam se agarrar em lugares onde as escamas são finas ou onde há pequenas dobras na pele das serpentes.
No entanto, a quantidade de parasitas depende do jeito de vida dos animais.
Como elas trocam de pele e permanecem na água, às vezes não têm muitos. Quando elas ficam muito tempo fora da água, ficam mais suscetíveis à infestação.
Isto significa que o ambiente aquático ajuda a manter os animais mais protegidos dos carrapatos.
Conheça a sucuri-amarela
A sucuri-amarela também é chamada de sucuri-do-Pantanal por causa das cores específicas. Ela pertence à espécie Eunectes notaeus.
Uma curiosidade é o fato de que essa cobra não é venenosa.
Na natureza, as fêmeas costumam crescer maiores e podem chegar a medir quase 4 metros.
Já os machos ficam menores e podem chegar a cerca de 2,5 metros.
Os animais se alimentam de peixes, aves, jacarés, lagartos e mamíferos.
As sucuris vivem com bastante contato com a água e costumam ficar paradas perto dela, esperando o momento certo para capturar suas presas.
Essa estratégia ajuda a economizar energia e evita o perigo de ser vista por predadores.
Um detalhe é que os olhos e as narinas ficam na parte de cima da cabeça. Por isso, as sucuris conseguem manter só um pouco do focinho fora da água enquanto respiram.
Nas horas de ataque, elas mordem a presa e envolvem o corpo ao redor do invá. Ao contrário de uma crença comum, a intenção delas não é quebrar os ossos da vítima.
Devido ao corpo mole, o foco delas é apertar muito o bichinho até que ele não consiga respirar.
Por serem animais que dependem do calor do ambiente, elas precisam das temperaturas certas para agir direito.
Depois de comer algo grande, as sucuris podem ficar paradas e camufladas enquanto o corpo digere a refeição.
Se alguém mexer com elas nesse momento, a cobra pode vomitar o que comeu. Assim, o corpo fica mais leve e a chance de fuga aumenta.
Portanto, cuidar com atenção para esses animais é fundamental para a preservação deles.

Lyessa Scarlet (Ajustada por IA)


