Suspeito de pichar embaixada dos EUA em Brasília é preso

Brasil Pichação 13/08/2026 15:31 Beatriz Souza, Marcelo Bamonte, Marco Viana e Fernando Keller - Jovem Pan jovempan.com.br

A Polícia Militar do DF prendeu um homem suspeito de participar da pichação no muro da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília. O MST assumiu a autoria do ato, que criticava os EUA por 'fazer guerra e lucrar com a morte'.

A Polícia Militar do Distrito Federal prendeu um homem suspeito de participar da pichação de um muro da Embaixada dos Estados Unidos, em Brasília, na manhã desta quinta-feira (13). Segundo a PM, ele foi levado para a 1ª Delegacia de Polícia.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) assumiu a autoria do ato de vandalismo. A pichação dizia: 'os EUA fazem guerra e lucram com a morte', além da versão em inglês 'the USA makes war and profits from death'.

  • O muro da embaixada foi pichado com frases contra os EUA, e também foram deixados objetos como ossos artificiais, uma cartola de papelão e uma faixa com os dizeres 'Indústria da guerra dos EUA: mortes, fome e destruição da natureza'.
  • O MST e o Levante Popular da Juventude assumiram a autoria do ato, que aconteceu antes das 8h, e os participantes fugiram antes da chegada da polícia.
  • A embaixada dos EUA afirmou que está ciente do vandalismo e que trabalha com as autoridades locais, e que as atividades consulares seguem normalmente.
  • O episódio acontece em meio a tensões entre Brasil e EUA, que recentemente impuseram tarifas sobre produtos brasileiros.
  • Os EUA também cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, em meio a um impasse sobre a indicação do novo embaixador americano.

O ato de vandalismo

Imagens mostram objetos que parecem ser simulacros de uma cartola, em referência à vestimenta do 'Tio Sam', figura emblemática de campanhas de guerra dos EUA, além de modelos de ossos artificiais. Também é possível ver uma marca de queimadura na parede, junto a restos de pano que se assemelham à bandeira dos Estados Unidos. Uma faixa no chão trazia a inscrição: 'Indústria da guerra dos EUA: mortes, fome e destruição da natureza'.

A ocorrência foi registrada na região da representação diplomática americana, no Setor de Embaixadas Sul, na capital federal. Até o momento, nenhum suspeito havia sido identificado, mas a PM prendeu um homem posteriormente.

MST assume autoria

Segundo o MST, a ação foi realizada pela Juventude Sem Terra e pelo Levante Popular da Juventude como uma manifestação contra o que classificou como 'indústria da guerra' e 'imperialismo dos EUA'. A confirmação da autoria ocorreu por meio de uma publicação nas redes sociais do MST, onde o grupo afirmou que a intervenção teve como objetivo criticar a atuação dos Estados Unidos e terminou com uma declaração em defesa da mobilização da juventude pelo socialismo.

O ato ocorreu antes das 8h e deixou pichações nos muros da representação diplomática. Parte do material foi queimada. Também foram encontrados objetos artesanais semelhantes a ossos, produzidos com fita crepe, e um chapéu de papelão que faz referência ao Tio Sam.

Os participantes estavam com os rostos pintados e deixaram o local antes da chegada da Polícia Militar do Distrito Federal, que realizou buscas na região. A embaixada conta com diversas câmeras de segurança, que podem ter registrado a movimentação durante a ação. Após o vandalismo, a Polícia Civil realizou a perícia na área externa da representação diplomática. Com o fim da perícia, equipes de manutenção iniciaram a limpeza e repintaram o trecho do muro pichado.

Tensão diplomática

O episódio ocorre em meio ao aumento das tensões entre Brasil e Estados Unidos. Em 15 de julho, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, alegando, entre outros pontos, práticas comerciais consideradas prejudiciais aos EUA e falhas no combate ao desmatamento. A medida entrou em vigor no dia 22 e levou o governo Lula a acionar formalmente Washington na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 27 de julho.

A crise também chegou à área diplomática. Os Estados Unidos cancelaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, em meio ao impasse sobre a indicação do republicano Daniel Perez para comandar a embaixada americana em Brasília. O governo brasileiro ainda não concedeu o agrément (autorização necessária para que um embaixador estrangeiro assuma o posto) e criticou Washington por ter tornado a indicação pública antes desse aval.