Brasil reduz pobreza, mas ainda tem muita desigualdade

Brasil Desigualdade 12/08/2026 15:10 Fabíola Sinimbú - Agência Brasil agenciabrasil.ebc.com.br

Estudo mostra que o Brasil melhorou em vários pontos, como renda e pobreza, mas a desigualdade entre ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros, e entre regiões ainda é grande.

Um estudo divulgado nesta quarta-feira (12) mostra que o Brasil melhorou em várias áreas, como renda, emprego, pobreza e acesso a serviços básicos, mas ainda tem grandes diferenças entre as pessoas. O relatório é do Observatório Brasileiro das Desigualdades e analisou 48 indicadores.

  • Em 71% dos itens avaliados, o país avançou, ou seja, 34 indicadores melhoraram.
  • Mas 8 indicadores pioraram, como a diferença de salário entre homens e mulheres.
  • A desigualdade de renda ficou maior.
  • As regiões Norte e Nordeste continuam com os piores índices sociais.
  • Pessoas negras ainda têm condições de vida piores do que as brancas.

Os avanços foram principalmente na melhoria da renda média, aumento do trabalho, redução da pobreza, mais segurança alimentar e acesso a serviços básicos, como saúde e educação.

Também melhoraram os índices de saúde, como a redução da desnutrição infantil e de idosos, e a queda do analfabetismo. Na segurança, diminuiu a taxa de homicídios de jovens de 15 a 29 anos.

Mas o estudo mostra que ainda existem problemas. Oito indicadores pioraram, como a ampliação do número de mulheres que ganham menos que os homens, o aumento da concentração de renda, a tributação menor para quem ganha mais, e as condições piores para a população negra.

Segundo o relatório, essas pioras mostram que os mecanismos que criam as desigualdades ainda estão ativos. O crescimento econômico beneficiou alguns grupos, mas não foi suficiente para reduzir as diferenças históricas de renda, gênero, raça e região.

Esta é a quarta edição do relatório, que analisa dados de 2025. Alguns dados não são atualizados todos os anos, mas isso não muda as conclusões.

Para Adriana Marcolino, diretora técnica do Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades, os indicadores que já temos mostram tendências importantes, mesmo com dados de anos anteriores.

Betina Ferraz Barbosa, do Pnud Brasil, diz que os números médios escondem uma realidade mais complexa: os avanços foram reais, mas também muito desiguais.