O Brasil proibiu a produção de foie gras, mas ainda permite práticas como matar pintinhos machos, abater vacas grávidas e manter animais em gaiolas pequenas. Especialistas pedem mudanças urgentes.
O Brasil já deu um passo importante contra a crueldade animal ao proibir, em julho, a produção de foie gras, alimento feito a partir do fígado de patos e gansos alimentados à força. Porém, especialistas afirmam que ainda existem várias práticas na pecuária que causam sofrimento e precisam ser mudadas. Entre elas, estão o descarte de pintinhos machos, o abate de vacas grávidas e o confinamento de porcas e galinhas em gaiolas.
- Foie gras é proibido, mas outras práticas cruéis continuam.
- Milhões de pintinhos machos são mortos por não ter valor comercial.
- Vacas grávidas são abatidas, e os filhotes podem morrer.
- Gaiolas pequenas causam depressão em porcas e galinhas.
- Congressistas resistem a mudanças, mas consumidores podem ajudar.
O foie gras é feito através da gavagem, uma técnica que usa tubos para despejar comida na garganta de patos e gansos, fazendo o fígado deles inchar. Isso causa dor e sofrimento. Com a proibição, o Brasil se torna um exemplo, mas ainda há muito a fazer. Arthur Regis, especialista da ONG Sinergia Animal, lembra que a Constituição garante dignidade aos animais. Várias práticas não se justificam por serem cruelmente desnecessárias, diz ele.
Práticas que precisam acabar
A professora Carla Molento, da Universidade Federal do Paraná, aponta três práticas urgentes: o abate de jumentos, a exportação de gado vivo e o abate de vacas grávidas. Jumentos são mortos por causa da pele, vendida para a China, e podem desaparecer. O gado viaja semanas em navios lotados, muitos morrem antes do abate. E vacas grávidas são abatidas, mesmo com regras que tentam proteger os filhotes. Isso é muito pesado, diz a professora.
O abate de jumentos é um problema grave. Esses animais estão sendo mortos em grande quantidade, sem controle, e podem ser extintos. Já a exportação de gado vivo é uma prática antiga, que causa sofrimento enorme aos animais. E as vacas grávidas são abatidas normalmente, o que é cruel para a mãe e o filhote.
O sofrimento nas gaiolas
O uso de gaiolas para porcas e galinhas é uma das práticas mais cruéis, segundo estudiosos. Porcas ficam presas em espaços minúsculos, sem poder se mover, e passam por depressão. Galinhas poedeiras vivem em gaiolas por toda a vida, e têm o bico cortado para não se machucarem. Se você entrar num galpão, vê animais em estado de tristeza profunda, afirma Molento.
Além das gaiolas, outra prática chocante é a trituração de pintinhos machos. Como eles não botam ovos, são mortos logo após nascerem. George Sturaro, da ONG Mercy For Animals, explica que eles são triturados vivos, porque não têm valor comercial. Uma alternativa é a sexagem in ovo, que identifica o sexo do embrião antes do nascimento, poupando os machos. No Brasil, 85 milhões de pintinhos são mortos por ano dessa forma.
Para pressionar por mudanças, organizações acompanham mais de 500 projetos no Congresso. Eles querem, por exemplo, o fim da exportação de gado vivo, a proibição do abate de jumentos e a rotulagem de produtos de origem animal. Mas a resistência é grande, por causa da bancada do agronegócio. A sociedade pode ajudar, não consumindo produtos de empresas que praticam crueldade. Como diz Arthur Regis: Quando o consumo cai, o produtor percebe o problema.

Reprodução / O Povo


