UPP da Rocinha será inaugurada hoje, mas processo de pacificação no Rio ainda é realidade distante

Desde que foi ocupada por forças policiais após a prisão de Antônio Bonfim Lopes, o Nem, líder do tráfico de drogas na comunidade, a favela da Rocinha –zona sul do Rio de Janeiro– ainda continua registrando muitos casos de violência. A inauguração da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, que acontece na manhã desta quinta-feira (20), ocorre uma semana após o policial Diego Barbosa Henriques, 24, ter sido morto quando junto com três colegas fazia uma patrulha a pé numa área conhecida na comunidade como 199.

Na ocasião da morte do policial o governador do Rio, Sérgio Cabral, classificou o ataque como “mais uma ação desesperada dos marginais” e disse que “o Rio de Janeiro pode ter certeza que não haverá retrocesso nas comunidades pacificadas”.

O registro de mortes e crimes em áreas ocupadas por forças policiais neste ano, no entanto, revelam uma realidade de pacificação ainda não tão definitiva. Neste sábado (15), um tiroteio entre policiais da UPP do Fallet Fogueteiro, centro do Rio, e traficantes do morro da Coroa, deixou três policiais feridos, entre eles o terceiro sargento Paulo César de Lima, do Batalhão de Choque da Polícia Militar, que foi atingido na virilha e acabou morrendo no domingo (16) durante uma cirurgia para retirar o projétil.

No dia 23 de julho, a policial militar Fabiana Aparecida de Souza, 30, foi morta por um tiro de fuzil que perfurou o colete à prova de bolas atingindo-a no abdômen. Ela trabalhava no contêiner sede da UPP Nova Brasília, localizada no complexo de favelas do Alemão, zona norte do Rio, e que havia sido inaugurado duas semanas antes.

Na ocasião, a presidente da República Dilma Rousseff publicou uma nota lamentando a morte da policial. “Fabiana abraçou essa causa e nos deixou a certeza de que outros braços a sucederão, com o mesmo empenho, para consolidar cada vez mais o sucesso das UPPs. A paz vencerá, não há retorno”, dizia o texto.

Por outro lado, não são apenas os policiais que têm sido vitimas da criminalidade. No morro dos Macacos em Vila Isabel, zona norte do Rio, o comerciante Flávio Duarte, 40, dono de uma padaria e presidente de uma associação comercial na área, foi assassinado no último dia 4 com cinco tiros dentro de seu estabelecimento. Dois dias depois seria a vez de seu amigo, Gilberto Paiva dos Santos, 54, ser morto a tiros em casa. A comunidade dos Macacos conta com uma UPP inaugurada desde novembro de 2010.

De acordo com informações da Secretaria de Segurança do Rio, a UPP da Rocinha será a 28ª inaugurada desde dezembro de 2008, quando foi inaugurada a primeira unidade no morro do Santa Marta, em Botafogo, zona sul. A secretaria diz ainda que estão previstas mais 40 UPPs até 2014.

UPP da Rocinha

A UPP da Rocinha deve contar com um efetivo de 700 policiais militares que devem patrulhar 25 subcomunidades numa área de mais de 800 mil metros quadrados. O comando da Unidade ficará por conta do major Edson Santos, 38, que já liderava um efetivo de mais 400 policiais desde março, entre agentes do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e do Batalhão de Policiamento de Choque, quando já existia um centro de comando implantado no alto da favela para monitorar as ações de patrulhamento que ocorriam.

“A retomada é permanente e a polícia foi mais uma facilitadora nesse processo. Para preservar vidas e liberdades, função principal dos agentes policiais, não vamos medir esforços e por isso estamos muito motivados com a oportunidade de estabelecer a proximidade com a população da maior favela do Brasil”, manifestou o coronel Rogério Seabra, coordenador-geral das UPPs, sobre a nova instalação.

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