Último filme da trilogia “Batman” fecha franquia de Nolan com ação de perder o fôlego

Criado em 1939, por Bob Kane, Batman tem demonstrado um fôlego admirável. Isso acontece especialmente por sua capacidade de adaptação — se o Cavaleiro das Trevas nasceu na véspera da 2ª Guerra Mundial, atualmente ele se justifica num mundo niilista, descrente de ideologias e ameaçado pelo terrorismo.

“Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge” fecha a trilogia do diretor inglês Christopher Nolan, que comandou também “Batman Begins” (2005) e “Batman: O Cavaleiro das Trevas” (2008) com esse aporte contemporâneo, sem perder de vista no terceiro filme as origens e a natureza dúbia do protagonista. Recluso e altruísta, feroz e delicado, Batman e Bruce Wayne (interpretados por Christian Bale) deixam um isolamento de anos, no começo da história, para fazer frente a outra ameaça contra Gotham, cidade corrompida e amada pelo herói.

A exemplo do segundo filme da franquia, Nolan esnoba o 3D e insiste na tecnologia IMAX ao gravar 40% das cenas do novo longa com câmeras equipadas com o formato — ou seja, 72 dos 164 minutos. A produção só circula pelas salas de cinemas em versões IMAX e 35 mm, legendadas e dubladas.

Uma das sequências filmadas em IMAX é a espetacular abertura, que apresenta o vilão Bane (Tom Hardy) em um eletrizante enfrentamento, no ar, entre dois aviões. No início, Bane vem tomar da CIA um cientista russo, cuja importância em seu plano de megadestruição de Gotham só será entendida bem mais à frente.

Depois de acordar o público com a cena inicial, enervante para quem tem medo de altura, a câmera encontra o bilionário Bruce Wayne entregue à solidão e isolamento em sua mansão. Transformado em vilão diante da opinião pública por assumir a responsabilidade da morte do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart), Batman saiu de cena. Wayne sofre também a dor da perda de sua amada Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal).

Duas mulheres mexem com ele: a audaciosa ladra Selina Kyle (Anne Hathaway), que se infiltra na mansão para roubar um colar da mãe de Wayne; e a milionária Miranda Tate (Marion Cotillard), que deseja a parceria do magnata para seus projetos de eco-energia.

Mas Bane força Batman a uma reaparição após ocupar os subterrâneos de Gotham, arquitetando uma estratégia implacável de dominação da cidade, movido por uma agenda de vingança. O comissário Gordon (Gary Oldman) nunca trabalhou tanto tempo fora de seu escritório, nem correndo tanto risco de vida.

As figuras paternais de Bruce Wayne e Batman, o mordomo Alfred (Michael Caine) e o especialista em tecnologia Lucius Fox (Morgan Freeman) estão a postos para a nova decolagem do herói — Fox chega a fornecer uma nova moto ao herói, a Batpod, e um veículo aéreo, já que Batman vai precisar voar mais de uma vez.

Com o comissário Gordon enfrentando tantos problemas, o dedicado policial John Blake (Joseph Gordon-Levitt) surge no apoio ao combate aos criminosos. Órfão, o personagem que começa na trama apenas como um funcionário comum revela várias semelhanças com Bruce Wayne.

Os combates físicos entre Bane — que tem físico de gladiador e fôlego indestrutível — e Batman estão entre os momentos mais exasperantes do filme. Especialmente porque, apesar de os dois terem treinamento idêntico, obtido durante a passagem pela Liga das Sombras, Bane sempre parece mais impiedoso e forte.

Por conta dos altos e baixos que enfrenta neste combate, Batman também muda de ambiente — um deles é uma prisão medonha, sepultada no interior profundo de uma montanha, onde ele terá que contar, mais do que nunca, com a lembrança de uma força interior para impulsionar a força física.

Com um roteiro tão parrudo quanto a ação, assinado por Nolan e seu irmão, Jonathan Nolan, “Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge” esmera-se em não perder de vista a procura pelo entretenimento dos espectadores. Há alternância de ritmos, momentos emotivos, engraçados, pausa para o charme das moças, ainda que perigosas. Tanto Anne Hathaway quanto Marion Cotillard têm momentos generosos para mostrar ao que vieram na história — e não foi só para fazer figuração.

Loading...
Related Video
 

About the author

More posts by carol

 

0 Comments

You can be the first one to leave a comment.

Leave a Comment