Senado decide hoje em plenário se cassa Demóstenes Torres por quebra de decoro

O Senado Federal marcou para as 10h desta quarta-feira (11) sessão para votar processo que pode resultar na cassação do mandato do senador Demóstenes Torres (ex-DEM, atual sem partido-GO) por quebra de decoro parlamentar em decorrência do relacionamento dele com o contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, preso no fim de fevereiro e apontado pela Polícia Federal como chefe de um esquema de corrupção que envolvia políticos, policiais e empresários.

O processo contra o parlamentar goiano é resultado de uma representação do PSOL analisada e aprovada por unanimidade no Conselho de Ética e que também ganhou o atestado de legalidade na CCJ (Comissão de Constituição do Senado). Entre as acusações (veja boxe abaixo) que pesam contra ele, estão ter recebido dinheiro e ter favorecido os interesses de Cachoeira enquanto exercia seu mandato como senador.

Para se defender, desde o dia 2 de julho, Demóstenes Torres tem ido diariamente à tribuna do plenário do Senado expor seus argumentos, enfatizando sobretudo que o processo contra ele baseou-se em escutas ilegais, que os trechos de conversas grampeadas divulgadas foram “editadas” e que, ele não se beneficiou com a amizade com Cachoeira nem ajudou em projetos de interesse do bicheiro.

Entre as frases de efeito usadas em seus discursos, são frequentes as sentenças em que ele se diz injustiçado. “Se ele [projeto de cassação] for aprovado, será a maior injustiça do parlamento brasileiro”. Demóstenes também disse que mentir não configura quebra de decoro. “Se o parlamentar mentir, é um problema dele com sua consciência e sua audiência, não com o decoro. Aliás, nada do que o parlamentar diz da tribuna pode ser quebra de decoro”, disse no discurso do último dia 9.

Além dos discursos em plenário vazio, o senador encaminhou por meio dos seus advogados um memorial a cada um dos demais 80 senadores com as explicações ponto a ponto justificando a inocência do parlamentar. Demóstenes Torres também foi ouvido pelo Conselho de Ética do Senado, onde se disse traído por Cachoeira. Convocado para prestar depoimento na CPI do Cachoeira, preferiu o silêncio.

Na história do Senado, até hoje, apenas um senador teve o mandato cassado pelo plenário, Luiz Estêvão (PMDB-DF), em junho de 2000, por ter mentido aos colegas sobre seu envolvimento dele no escândalo de superfaturamento das obras do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo.

A última vez que os senadores votaram uma cassação em plenário foi em 2007, quando o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), foi liberado da acusação de quebra de decoro por ter utilizado recursos da construtora Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como aluguel e pensão alimentícia à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha.

Loading...
Related Video
 

About the author

More posts by carol

 

0 Comments

You can be the first one to leave a comment.

Leave a Comment