Reforma em pronto-socorro do HC restringe atendimentos

O pronto-socorro do HC (Hospital das Clínicas), na zona oeste de São Paulo, passará por sua primeira grande obra em 69 anos de existência e, com isso, restringirá a partir de sexta-feira o atendimento feito ao público.

A reforma, que busca ampliar e modernizar área de atendimentos graves, como traumas de trânsito, por exemplo, deve terminar em dois anos e meio. Uma primeira fase das obras já foi iniciada há dois anos, mas alterou apenas áreas livres e causou poucos transtornos.

Agora, um terço da área do pronto-socorro será atingida. Por isso, serão priorizados casos gravíssimos ou graves.

Por dia, o PS recebe cerca de 540 pacientes com problemas de diferentes complexidades.

A mudança afeta cerca de 300 pacientes que chegam por conta própria ao serviço.

Desses casos, os mais graves (cerca de 90) serão encaminhados para um novo protocolo de atendimento.

Os casos menos graves (cerca de 210) também. Mas, antes, serão recebidos por uma equipe já na porta, que os orientará a procurar ajuda em uma Ama (Assistência Médica Ambulatorial) ou pronto-socorro próximo de suas casas. Os pacientes receberão uma lista com os serviços que existem em suas regiões.

Na prática, seja grave ou não, nenhum paciente poderá ser recusado. Mas, com as alterações, quem tiver problemas menos graves e que ainda assim preferir o atendimento no HC terá que esperar mais.

Isso porque a nova forma de atendimento, chamada de Protocolo de Manchester, divide a gravidade dos casos que chegam em seis cores.

Um paciente classificado com a cor vermelha (mais graves) terá atendimento imediato. Os com a cor branca (menos graves) poderão esperar mais de quatro horas.

As mudanças não afetam o atendimento dos pacientes que chegam via serviços de resgate (cerca de 40 por dia) e os cerca de 200 que procuram a oftalmologia e a otorrinolaringologia.

ATENDIMENTO RUIM

A novidade dividiu opiniões de pacientes do hospital. “Lá perto de casa nem médico tem. O atendimento é ruim”, afirma a recepcionista Jaqueline Amaral de Carvalho, 52, moradora da zona sul.

“Em Ermelino Matarazzo [zona leste], temos um atendimento bom. É possível passar lá e não lotar aqui”, diz a aposentada Marilene Jardim, 70.

Segundo o HC, a medida não deve sobrecarregar os serviços de outras regiões. Levantamento da instituição mostra que apenas 15% dos atendimentos do PS são de pacientes da zona oeste; 14% vêm da zona leste; 25% da zona sul; 12% da zona norte; e 7% do centro. Os outros 27% são de outros municípios ou não tiveram a localidade anotada na ficha.

“São 150 Amas e prontos-socorros na cidade. Se as pessoas procurarem em seus bairros, o impacto será de menos de dois pacientes por dia em cada unidade”, diz Eloisa Bonfá, diretora Clínica do HC.

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