Reação da Petrobras não depende só de preço da gasolina

As ações da Petrobras voltaram a subir na semana passada com a possibilidade de um novo aumento dos combustíveis, mas uma virada no rumo dos papéis da estatal segue uma aposta arriscada e com desfecho imprevisível.

As ações da Petrobras e os resultados da empresa vêm sofrendo porque o governo não permite que os combustíveis fiquem mais caros quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional. O objetivo é controlar a inflação no país.

Mas, como a Petrobras precisa importar gasolina cara e vender mais barato, fica menos rentável que outras empresas do setor.

A divulgação do prejuízo no segundo trimestre fez parte do plano do governo de defender que a Petrobras alinhe mais seus preços aos do mercado internacional. Mas a Fazenda continua contra.

Na semana passada, depois de declarações do ministro de Minas e Energia defendendo novo aumento dos combustíveis, houve alta de 5,7% nas ações preferenciais (sem voto) e de 6,5% nas ordinárias (com voto).

O movimento seguiu o mesmo script visto em junho: quando se vislumbrava um reajuste, os preços subiram, mas, ao ser anunciado, foi considerado insuficiente, as ações voltaram a cair.

CREDIBILIDADE

Mais do que a confirmação de novos reajustes, a reação dos papéis da Petrobras depende de a estatal recuperar sua credibilidade junto aos investidores, que ainda perdem dinheiro desde a capitalização em 2010.

Quem comprou ações ordinárias à época perde 25,8%, enquanto nas preferenciais a baixa é de 19,9%.

Segundo relatório do Banco do Brasil Investimentos, a estatal enfrenta o desafio de manter a rentabilidade de suas operações e cumprir seu plano de negócios. A previsão é que se beneficie da recuperação no preço do petróleo e de um leve aumento na produção de petróleo e gás nos próximos dois anos.

O maior crescimento na produção, porém, só deve ocorrer entre 2014 e 2016. Até lá, a Petrobras pagará a conta pelo aumento dos custos de extração e com a contratação de mão de obra.
Além das dificuldades para exploração no pré-sal, a estatal tem a antipatia dos investidores por ter pouca transparência, não ter traçado um plano factível para melhorá-la e por deixar os acionistas minoritários “sem voz” na tomada de decisões.

A revisão do plano de negócios e a “limpa” no balanço, que trouxe o primeiro prejuízo em 13 anos, foram vistos como mudança de postura da estatal sob o comando da presidente Graça Foster.

O prejuízo adiantou perdas e abriu espaço para um terceiro trimestre melhor.

“O mercado tem motivos para cobrar ganho de eficiência e uma melhora na gestão da empresa”, diz Ricardo Martins, vice-presidente da associação dos analistas.

“Há uma boa impressão com a Graça, mas por enquanto é uma promessa. O governo precisa tratar a Petrobras com mais carinho”, diz Will Landers, da Blackrock, maior acionista minoritário, com 5% dos papéis.

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