Queda de Russomanno expõe o erro dos rivais

Como em tudo na vida, também nas disputas eleitorais o eleitor precisa raciocinar com hipóteses –das mais amplas às mais específicas. No caso do que espera o paulistano com a eventual ascenção de Celso Russomanno à prefeitura de São Paulo, o leque das hipóteses é vasto. Pouca gente sabe o que tem dentro da embalagem do produto do PRB, tão competentemente vendido.

Na melhor das hipóteses, a auto-imagem renovadora de Russomanno coincidiria com a fantasia que a maioria do eleitorado comprou. Na pior das hipóteses, Russomanno se revelaria um efeito do marketing político fadado a conduzir o município ao desastre.

Nos últimos dias, um pedaço do eleitorado que pendia para Russomanno decidiu dar meia-volta. Pesquisa Datafolha divulgada há seis dias detectara um movimento de queda do fenômeno. Russomanno caiu cinco pontos –de 35% para 30%. Nesta terça (2), o Ibope ecoa a queda. Nessa nova sondagem, o líder despencou sete pontos –de 34% para 27%.

O declínio de Russomanno coincide com uma mudança no comportamento dos rivais José Serra e Fernando Haddad. Preocupados em bater um no outro, ambos poupavam deliberadamente Russomanno. Súbito, puseram-se a criticar também o adversário comum. Com isso, fizeram acender no eleitor a luz da dúvida: será?

Quem olha para o retrovisor percebe que Russomanno jamais foi um contendor negligenciável. Num Datafolha do final de janeiro de 2012, o único cenário em que ele não aparecia como líder era aquele em que era confrontado com Serra. Ainda assim, o pseudo-azarão beliscava 17%, apenas quatro pontos a menos do que Serra, com 21%. Nessa época, Haddad era um candidato de 4%.

Os sábios da campanha imaginaram que Russomanno definharia. Explorar as debilidades dele seria desperdício de munição. Dizia-se que, com estrutura precária e tempo de tevê exíguo, o fenômeno começaria a derreter quando a campanha chegasse à tevê. A propaganda eleitoral foi ao ar em 20 de agosto.

No Datafolha da véspera, Russomanno, com 31%, já figurava numericamente à frente de Serra, com 27%. Haddad ainda comia poeira: 8%. Em 29 de agosto, poucos dias depois do início da propaganda, veio à luz outro Datafolha. E nada de queda. Russomanno manteve o percentual: 31%. Serra caiu cinco pontos, batendo em 22%. Haddad subiu seis e foi a 14%.

Estava claro: poupado pelos antagonistas, Russomanno tornara-se um candidato duro de roer. A cinco dias da eleição, não parece provável que o despertar tardio de tucanos e petistas vá retirá-lo do segundo turno.

Mercê de um erro estratégico, a velha polarização PSDB X PT foi reduzida a uma humilhante disputa pela segunda vaga. Tomando-se as pesquisas a sério, um dos dois –Serra ou Haddad— morrerá na praia do segundo turno.

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