PM do Rio investigará ação que teve dez mortes no Complexo da Maré

A corregedoria da Polícia Militar abriu ontem um inquérito para investigar denúncias de excesso na ação do Bope (Batalhão de Operações Especiais) no Complexo da Maré, zona norte do Rio.

Outra investigação está a cargo da Divisão de Homicídios.

Entre a noite de segunda e a manhã de terça, dez pessoas morreram durante operação do Bope na favela.

A primeira vítima foi um sargento da corporação. Moradores acusam a Polícia Militar de ter agido com truculência ao invadir o local após a morte do policial.

Ontem a Polícia Civil divulgou a identificação das vítimas, todos homens. Dois deles não tinham antecedentes criminais: Eraldo Santos da Silva, 35, e Jonatha Farias da Silva, 16.

Os demais, entre eles um adolescente de 16 anos, têm passagens pela polícia por crimes como tráfico, homicídio, roubo, furto, lesão corporal e porte ilegal de arma.

De acordo com a polícia, todos os corpos têm marcas de tiros e não apresentam ferimentos por faca. Moradores tinham acusado policiais de terem torturado e esfaqueado algumas das vítimas.

Peritos da Divisão de Homicídios do Rio recolheram ontem fuzis das equipes do Bope que participaram dos confrontos. Exames de balística poderão identificar os autores dos disparos.

Também foram ouvidos policiais que participaram da ação e parentes de vítimas.

Pela manhã, a associação de moradores da Maré e representantes das ONGs Redes da Maré e Observatório das Favelas participaram de encontro com os comandos do Bope, do Batalhão de Choque e da Corregedoria da PM.

“Esse encontro foi uma forma de estabelecer diálogo dos moradores com a polícia sobre supostos exageros na operação desta semana”, disse Eliana Sousa Silva, diretora da ONG Redes da Maré.

Os moradores decidiram realizar na próxima terça ato público na rua principal da favela em homenagem às vítimas da ação policial.

Até o fim da tarde, a PM permanecia com reforço policial na Maré.

Mais cedo, um grupo pequeno de moradores fez uma manifestação em frente à Secretaria de Segurança Pública do Rio, em protesto contra as últimas ações da Polícia Militar no conjunto de favelas. O protesto foi pacífico.

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